Com 1.147.536 de multas registradas por radares entre 2016 e 2017, Belo Horizonte inaugurou, nos últimos oito anos, uma média de 36 radares a cada 12 meses. Atualmente, a capital possui 330 equipamentos entre medidores de velocidade, detectores de avanço de sinal e monitores de invasão de faixas exclusivas para ônibus, em 49 ruas e avenidas. Na quarta-feira (20), a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) realocou oito aparelhos na cidade, quatro deles em pontos que nunca o possuíram. 

A avenida Presidente Antônio Carlos, que tem cerca de 8 km de extensão, é campeã com 65 radares. São 44 aparelhos de avanço de semáforo, 16 exclusivos para controle de velocidade, dois de invasão de faixas e três conjugados entre velocidade e invasão de faixas. Em seguida aparecem as avenidas Cristiano Machado, com 50 equipamentos em seus cerca de 11,5 km de extensão, e Amazonas, com 22, em aproximadamente 9 km.

De acordo com a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), até agosto de 2010, a capital possuía 37 radares, e o número cresceu durante a gestão do ex-prefeito Marcio Lacerda – 2009 a 2016 –, quando foram celebrados quatro contratos para a implantação de equipamentos de fiscalização eletrônica. 

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Ainda segundo a BHTrans, desde que Alexandre Kalil (PHS) assumiu o Executivo municipal, nenhum novo aparelho foi instalado na cidade, mas houve renovação ou alteração de contrato dos já existentes. Segundo a BHTrans, os oito radares que começaram a funcionar nesta quarta-feira foram deslocados de outros lugares. Desde o início da atual gestão, dois processos licitatórios foram iniciados. Cada contrato tem duração de 30 meses.

Análise. Para o consultor em trânsito e transportes Osias Baptista Neto, é importante instalar radares nos oito novos pontos determinados pela BHTrans.

“São vias arteriais que concentram muito tráfego”, explicou. Baptista acrescentou que em vias largas, como as avenidas Antônio Carlos, Amazonas e Cristiano Machado, os motoristas tendem a ultrapassar a velocidade de segurança, o que é inibido com a presença dos equipamentos. O especialista considera que a função dos radares é “salvar vidas”, já que muitos condutores não respeitam as placas que indicam a velocidade máxima permitida.

“A princípio, os radares são colocados em locais com maior incidência de acidentes. No entanto, os equipamentos devem ser colocados também em outros lugares para criar a cultura”, explica. Ele defende que a prefeitura seja rígida com relação à fiscalização da velocidade.

 

Alta velocidade é a principal causa de morte, diz especialista

A necessidade de respeitar o limite de velocidade nas ruas e avenidas de Belo Horizonte fez com que a bibliotecária Iara Sampaio, 46, começasse a acordar mais cedo. A mudança de hábito aconteceu há um ano. Ela mora na região da Pampulha e vai todos os dias pela Antônio Carlos – a avenida com mais radares da capital – para os bairros Santo Agostinho e Lourdes, na região Centro-Sul. “Antes, eu saía de casa às 6h20, agora, eu vou às 6h. É melhor chegar mais cedo ao trabalho do que ficar agarrada no trânsito, com os radares”, contou. 

A atitude de Iara de buscar alternativas para não ter que desobedecer aos limites de velocidade deveria ser o comportamento-base dos motoristas, para o consultor em trânsito e transportes Osias Baptista Neto. Ele lembra que, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), a principal causa de morte no trânsito é a alta velocidade. “O que mata no acidente é a velocidade de dois corpos se chocando. A redução da velocidade diminui a severidade dos acidentes”, afirmou. 

Os anos de 2011 a 2020 são tratados pela OMS como “década de ações para a segurança no trânsito”. Em 2009, foram contabilizadas 1,3 milhão de mortes por acidente de trânsito em 178 países, conforme a organização. Segundo a OMS, estabelecer limites de velocidade adequados às vias, usar tecnologias nos novos carros como frenagem autônoma de emergência, promover a conscientização e uso de equipamentos eletrônicos para fiscalização são medidas que devem ser adotadas para diminuir as mortes.

Fique atento

Horário de ônibus. Os usuários do transporte coletivo em Belo Horizonte devem ficar atentos às mudanças no quadro de horário dos ônibus durante os jogos do Brasil na Copa do Mundo de 2018. Segundo a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), a mudança ocorre por causa da demanda dos torcedores para assistir o jogo.

Copa. Durante a partida do Brasil contra a Costa Rica, na sexta-feira (22), às 9h, a circulação dos coletivos será menor. No entanto, depois do jogo, o horário dos coletivos será ampliado. Para saber os horários de seu seu ônibus, basta consultar o site da BHTrans ou usar o aplicativo Sisu Mobile.


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