A sensação de insegurança é quase regra na maioria das grandes cidades mineiras. Mas pelo menos dois municípios do Sul do Estado podem comemorar a redução de assassinatos nos últimos anos. No ranking das cidades com menos homicídios no Brasil, Varginha aparece em quinto lugar, e Lavras, em sétimo. As posições foram divulgadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no Atlas da Violência 2018 e levam em consideração os municípios com mais de 100 mil habitantes.

Para alcançar as marcas, as polícias das duas cidades investiram em inteligência e integração com a população. Conforme o Ipea, Varginha passou da 27ª posição no anuário de 2017 para a quinta no estudo deste ano – o índice atual é de 6,7 homicídios a cada 100 mil habitantes. O tenente-coronel Hudson Abner Pinto, responsável pela Polícia Militar (PM) na região, informou que, desde julho de 2015, a corporação tem intensificado ações estratégicas: “A gente tem trabalhado com identificação e monitoramento (dos suspeitos)”. Em 2015, foram registrados 15 assassinatos na cidade, número que caiu para sete em 2016. Em 2017, foram quatro. 

Outra estratégia adotada foi a ampliação da rede de vizinhos e empresários protegidos. Por meio do aplicativo WhatsApp, a população informa aos policiais quando vê pessoas em atitude suspeita. O morador de Varginha e empresário Raul de Almeida, 31, aprova o contato direto com a PM. “Tenho o telefone do comandante. Tudo o que acontece o povo já coloca no grupo. A gente se sente mais seguro”, relata. O delegado regional da cidade, Wellington Clair de Castro, acrescenta que, desde dezembro do ano passado, o índice de resolução nos casos de homicídio é de 100%. “Desde 2015, há um comprometimento da Polícia Civil em solucionar todos os casos”, garante.

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Em Lavras, o empenho das corporações segue a mesma linha. Em 2017, a cidade ocupava a 23ª posição no Atlas da Violência, e neste ano conseguiu cair para a sétima. O índice de homicídios é de 6,9 para cada 100 mil habitantes. Segundo o tenente-coronel Renan Santos Chaves, os suspeitos de homicídio, geralmente, são presos pouco tempo depois da ocorrência, e a corporação também aposta nas redes de proteção. “A população é nossa principal aliada com denúncias e informações”, considera. Em 2015, foram nove assassinatos. O número caiu para cinco em 2016 e ficou em seis no ano passado.

O delegado regional do município, Marcelo Vilela Guerra, informou que, além da perícia, investigadores vão imediatamente ao local do crime colher provas subjetivas (entrevistar moradores, etc.). “As primeiras horas são muito importantes. O índice de resolução é próximo de 100%”, explica. 

A atuação se reflete na sensação de segurança dos moradores. Não que não haja crime, mas as pessoas dizem ter tranquilidade, ao menos durante o dia. “Vivo há quatro anos em Lavras e me sinto seguro. O portão do meu prédio fica aberto a maior parte do tempo”, diz o universitário Rodrigo Cobbo.

Políticas sociais são importantes

O Atlas da Violência também traz aspectos relacionados à qualidade de vida que concorrem para a manutenção da paz, como o comprometimento dos políticos com as pessoas e o acesso à boa educação e a oportunidades de trabalho.

Segundo o pesquisador do Ipea Helder Ferreira, os prefeitos precisam investir em políticas sociais, além de ter foco de atuação em regiões que apresentam baixos índices sociais e altos números relacionados à criminalidade. “Os dados de ocorrências (da Polícia Militar) podem ajudar nesse planejamento. Essa articulação é importante”, informou o especialista. 

Ainda de acordo com o pesquisador, é importante que o prefeito mantenha diálogo com a polícia para entender a correlação entre crimes e ausência de direitos como educação.


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