Foi realizado na manhã deste sábado, no bairro das Magabeiras, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, uma intervenção cultural a favor da preservação da Serra do Curral, que é tombada pela Lei Orgânica do Município e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Artistas e arquitetos convidaram moradores de toda a cidade e vizinhos da Serra para um ato simbólico em defesa de um dos cartões postais mais importantes de Belo Horizonte.

Uma das idealizadoras do ato, Giovanna Penido contou que o objetivo da ação é chamar atenção para o risco que Serra do Curral corre. “Hoje nós quisemos trazer muito amor e afeto para a Serra do Curral, para que de alguma forma mostrar para as pessoas o que está acontecendo aqui. A população tem que saber que as obras que estão ocorrendo aqui devem ser revistas”, contou.

Giovanna afirmou que a Serra é um corredor ecológico e a sua preservação urgente. “Por isso não pode ter obras e não pode ter mineração. Nós temos que preservar o nosso símbolo de Belo Horizonte que é a Serra do Curral”, declarou.  

Continua após a publicidade

Durante o encontro, artistas se misturaram a população e desenharam no asfalto, nos muros e nas calçadas, em frente ao local onde acontece a reforma do antigo hospital Hilton Rocha. O espaço foi arrematado em leilão pela Oncomed. O imóvel deve ser revitalizado e ampliado para abrigar um novo hospital oncológico. Questionada, a assessoria da prefeitura de Belo Horizonte disse que o Executivo não se pronuncia sobre o assunto. 

A advogada e moradora da região Luciana Maria de Figueiredo Moreira contou que é responsável pela promoção de uma ação popular na Justiça para que a obra do hospital seja interrompida. Segundo ela, na última sexta-feira (29), a Justiça decidiu que o hospital e o município devem dar explicações sobre a obra em até 72 horas. “Agora nós aguardamos uma liminar judicial para  a paralisação da obra”, disse.

Luciana explicou que por ser uma obra de grande impacto, deveria ter obedecido regras constitucionais, o que, segundo ela,  não ocorreu. “Essa construção de grande porte foi feita sem o ordenamento constitucional, não houve o que a gente chama de estudo de impacto ambiental pois ela esta em um local aonde esse estudo tem que ser feito”, declarou. 

Quem também participou do ato, foi o grafiteiro Nadu Soares destacou que atos como esse são importante para proteger o patrimônio da cidade. “Estou desenhando aqui com o giz, estamos utilizando o giz por se um trabalho mais efêmero, ao contrário dessa obra que um dia pode chegar a ser um elefante branco. Somos contra a esse constrói e desconstrói que não favorece nem ao meio ambiente e nem a comunidade”, disse. 

A publicitária Ana Rios levou as duas filhas, Angelina Rios, de 9 anos e Helena Rios, de 5 anos para participar do evento. Ela contou que participa de todos os movimentos para salvar a Serra do Curral.

“Aqui é um lugar que faz a nossa cidade respirar, é um portal, uma passagem de animais. Nós cidadãos não fomos consultados. Eu estou feliz de ter um hospital do câncer, mas logo aqui?”, questionou. Ana disse que todos os movimentos deveriam se juntar. “Eu participo de vários atos, faço questão, mas se todos se juntarem, teremos mais força”, declarou. 

Angelina Rios disse que tem medo de ficar sem a Serra. “Se a Serra acabar, eu vou ficar muito triste. Isso daqui é a vista mais linda que pode ter, eu gosto muto da Serra do Curral, e se ela for destruída eu sei lá o que eu vou fazer”, lamentou. Ela contou que a acha muito legal participar de eventos como esse e ainda deixou um recado para os responsáveis pela obra. “Se eles pedissem a opinião das pessoas, só escutariam não porque é muito triste ver esses machucados na Serra”, disse. Agelina e suas irmã, deixaram seu recado. “Eu escrevi que eu quero que proteja a serra e, eu acho que pela nossa letra eles vão saber que nós crianças estamos muito tristes”, disse. 

O ato faz parte das ações do grupo BHOOM, composto por mais de 60 artistas e que tem como objetivo trazer interlocução entre população e a cidade. “Nosso objetivo é amplificar o diálogo, pata que ele não fique apenas entre arquitetos e designs”, contou Giovanna.


Comments are closed.