Por PEDRO FERREIRA / Fotos: Cristiane Mattos

Foto: Cristiane Mattos

Assim como na Nova Iorque dos quadrinhos, em Belo Horizonte um jovem esconde sua identidade para se transformar no “Homem-Aranha” e salvar a sociedade do mal. Contudo, diferentemente do personagem original, o mineiro nunca enfrentou um bandido, mas garante que, se vir algo errado acontecendo, não hesita em chamar a polícia. E revela sua verdadeira missão: combater o mau humor e a tristeza.

O “Peter Parker das alterosas” é um porteiro de 25 anos que faz bico como entregador de pizza. Além da mulher, do filho de 2 anos e de alguns parentes, a única que sabe da identidade dele é a dentista. E quando veste a roupa do “Aranha Mineiro”, como ele se identifica, entra em ação um super-heroi.

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No bairro onde mora – que ele não revela qual, apenas diz que fica na região Norte da capital –, o homem circula mascarado até quando vai à padaria, e ninguém sabe quem ele é. “Sou porteiro das 7h às 15h, de segunda a sábado. Faço entrega de pizza das oito às dez da noite, às quintas, sextas e sábados. No restante do tempo, sou Homem-Aranha animando festas infantis”, diz o porteiro, que também faz visitas a hospitais e vive de levar alegria às pessoas.

“Nunca foi só por dinheiro. O melhor pagamento por levar alegria às crianças é o sorriso”, postou o Aranha Mineiro nas redes sociais, ao lado de uma criança no Hospital das Clínicas da UFMG.

Foto: Cristiane Mattos

Fantasia. Ao contrário de Peter Parker, que adquiriu poderes ao ser picado por uma aranha, o porteiro conta que seu fascínio pelo super-herói começou ainda criança, em 2002, na escola, quando viu o filme do Homem-Aranha pela primeira vez. Desde então, ele conta que o sonho dele era ter uma fantasia do seu personagem preferido, o que ele somente conseguiu em 2012. “Um amigo comprou uma roupa de Homem-Aranha e não serviu. Ficou muito grande. Aí, ele me ofereceu por um preço mais em conta e eu o paguei dividido. A roupa ficou guardada por uns cinco meses. Eu a vesti, tirei fotos com ela em casa, e um belo dia eu saí para a rua vestido de Homem-Aranha. Era 12 de outubro de 2015, dia das crianças. Peguei o ônibus, fui a um shopping, ao centro da cidade, e muitas crianças – e até adultos – me pediram para fazer foto com eles. Então, eu vi que era uma forma de levar alegria às pessoas”, conta o porteiro.

O super-herói atende clientes para animar festa pelo telefone (31) 98787-6192.

Investimento para alegrar as pessoas

A primeira roupa de Homem-Aranha que o porteiro comprou custou R$ 450. “Era usar e lavar, usar e lavar. Hoje, eu tenho três roupas e estou esperando uma encomenda chegar do exterior”, conta. As fantasias, segundo ele, chegam dos Estados Unidos ou da China e custam em média R$ 1.300. A entrega demora até três meses.

O porteiro conta que já ficou dois anos e meio desempregado e sobreviveu com as festas infantis fantasiado e com as entregas de pizza. “Algumas vezes, eu entrego pizza de Homem-Aranha. Penso: ‘vou fazer a alegria de alguma pessoa’”, brinca. “Sou o melhor super-herói para o meu filho, e ele tem orgulho. Não pela fantasia, mas por eu ser um pai presente na vida dele”, revela.

Como já vai para as festas vestido de Homem-Aranha, o porteiro conta que, na volta, aproveita para ir à padaria, comprar ração para o cão e até vai à dentista de super-herói. “Se preciso comprar um remédio, passo na farmácia e compro. Quando saio de um evento mais cedo, e tenho tempo, vou à dentista como Homem-Aranha”, disse.

A primeira reação das pessoas nas ruas é de susto: “Depois, elas acham engraçado e pedem para tirar fotos. Quando chove, eu peço um carro de aplicativo e apareço de Homem-Aranha. Os motoristas acham que é trote. Depois, também pedem para fazer foto e querem meu cartão para me indicar para alguém”. Difícil mesmo, diz, é usar a fantasia em dias de calor e andar de moto mascarado. “A visão fica um pouco embaraçada, mas nada que comprometa. Só um pouquinho de dificuldade de respirar dentro da máscara de pano, pois há outra máscara de PVC por baixo, feita em impressora 3-D, para dar um formato legal ao rosto. Até no frio sinto calor. Não é nada fácil ser um super-herói”, brinca.

No aniversário do filho, em maio, teve um outro convidado especial, o Capitão América. “Faço parte de um grupo de super-heróis. Sempre que é possível, a gente anima mais de um aniversário no mesmo dia”, conta o porteiro.

Fonte: O Tempo


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