Um condomínio no alto do bairro Palmital, em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, com o nome de “Bem Viver” não faz jus ao nome para os moradores que vivem no imóvel. Lá, alguns deles foram expulsos dos próprios apartamentos por traficantes da área. Quem fica perde o sossego, é ameaçado e obrigado, em alguns casos, a esconder armas e drogas para criminosos. Nessa quinta-feira (12) a Polícia Civil, em parceria com o Ministério Público, realizou uma operação no local, onde um jovem chegou a ser conduzido à delegacia.

Construído há cerca de cinco anos, o Bem Viver, que faz parte do programa do governo federal “Minha Casa, Minha Vida”, possui 31 blocos, cada um com cinco andares, sendo quatro apartamentos por andar. No total, são 620 apartamentos. Pelo menos oito, segundo a Polícia Civil, foram ocupados por bandidos. A ação dos criminosos teria começado no ano passado. 

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“Nós tivemos informações que criminosos estariam ameaçando alguns moradores, que eram obrigados a guardar drogas. Quem não obedecesse estava sendo expulso. Alguns, mesmo obedecendo, também foram expulsos para que os traficantes se instalassem nos imóveis e traficassem. O condomínio é alvo de várias operações da Polícia Civil e Polícia Militar”, afirmou o delegado Flávio Teymeny.

Dos 18 mandados de busca e apreensão da operação desta quinta-feira, 15 foram cumpridos, sendo oito no condomínio. Os outros foram efetuados nos bairros Vila Rica, Vila Fagundes e Ovídio Guerra. Além do homem de 19 anos preso no Bem Viver, um outro da mesma idade e dois  adolescentes de 17 anos foram apreendidos. Porções de drogas, que não tiveram a quantidade divulgadas, foram apreendidas.

“Não há um chefe nesse tráfico de drogas. Os maiores de idade, utilizando de uma brecha na lei, estão aliciando os menores para o mundo do crime, seja no tráfico, roubo ou furto. Nós estamos tentando restabelecer a ordem no condomínio”, destacou o delegado.

Fofoca

Nessa quinta foi realizada a segunda etapa da operação, que vai continuar nos próximos dias. Na última terça-feira, um adolescente de 15 anos foi apreendido após cortar os cabelos de uma jovem. O crime aconteceu por vingança após uma fofoca. Ele, mesmo com pouca idade, seria um dos chefes do tráfico no bairro Vila Rica.

“Esse adolescente alegou que a menina teria dito para a namorada dele que tinha ocorrido uma traição. Que ele tinha ficado com uma outra pessoa”, disse o policial. 

O adolescente foi encaminhado a uma unidade socioeducativa.

Medo se instala e cala moradores 

No condomínio Bem Viver, o medo impede que os moradores comentem a tentativa dos criminosos em assumir o comando do local. “A gente não pode falar nada que acontece por aqui”, se limitou a dizer uma moradora.

Uma outra fonte ouvida pela reportagem de O TEMPO afirmou que criminosos costumam intimidar que vive no imóvel a qualquer hora do dia. Lá é comum que bandidos circulem pela área ostentando armas. Alguns deles se irritam quando moradores abrem as janelas.

Em um apartamento do primeiro andar do bloco 20, que fica nos fundos do condominío e dá acesso à mata do bairro, fica nítida a atuação de criminosos. A família que morava lá foi expulsa e o que se vê dentro do imóvel, sem mobília, é apenas um sofá destruído.

Cachimbos para uso de entorpecentes e algumas roupas ficam espalhados pelo chão. Do imóvel é possível ter uma visão privilegiada de parte da cidade e, inclusive, da rua que dá acesso ao condomínio, facilitando o controle de que chega na área.

Vizinhos do mesmo bloco se recusam até mesmo a dizer há quanto tempo os moradores saíram do local e para onde foram. No Bem Viver, mesmo sem nenhum sistema com câmeras de monitoramento, o que se percebe é uma vigilância velada por parte de algumas pessoas que transitam pelo espaço. Entre um bloco e outro, alguns jovens estão com os olhares atentos a cada passo, a  cada tentativa de aproximação com moradores do local. 

“A gente sabe que o local (condomínio) é para gente de bem. Tem muita gente de bem sendo prejudicada por criminosos que estão tocando o terror. Nós vamos continuar realizando as operações para que isso termine”, finalizou o delegado. 

 


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