Por FolhaPress

O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, cumpre agenda de campanha no Rio Grande do Sul РCiete Silvério Р28.ago.2018/Divulgação

Com apenas 9% de intenção de voto no Datafolha no cenário sem Lula (PT), o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) tem sido pressionado por lideranças evangélicas a adotar um discurso mais ideológico e cristão na campanha presidencial.

Ou, como preferem dizer, um discurso em favor ‚Äúda fam√≠lia e da vida‚ÄĚ.

Os l√≠deres das igrejas dizem que, sobretudo numa disputa fragmentada como a atual, o eleitor evang√©lico pode catapultar o tucano ao 2¬ļ turno caso passe a fazer manifesta√ß√Ķes enf√°ticas em rela√ß√£o a temas como aborto, drogas, casamento gay e homofobia.

Se não for dessa forma, dizem, os evangélicos naturalmente vão acabar desaguando seus votos no deputado Jair Bolsonaro (PSL). De acordo com pesquisa Datafolha realizada em 2016, 3 em cada 10 brasileiros (29%) com 16 anos ou mais são evangélicos.

A Folha apurou que o ponto mais importante seria assumir um compromisso de, na Presidência, trabalhar contra qualquer projeto que criminalize o discurso religioso em relação à homossexualidade.

Os líderes evangélicos entendem que, se houver uma alteração no Código Penal de modo a comparar a homofobia ao racismo, muitos pastores poderão ser presos.

Na vis√£o desses l√≠deres, que citam a liberdade de express√£o, eles t√™m o direito de dizer, por exemplo, que a B√≠blia condena o comportamento homossexual sem correrem o risco de sofrer acusa√ß√Ķes judiciais por discrimina√ß√£o.

Alckmin tem procurado se aproximar dos evang√©licos. Antes de renunciar ao governo, chamou lideran√ßas para uma pizza no Pal√°cio dos Bandeirantes. Na √ļltima quinta-feira (23), esteve com cerca de mil pessoas, entre bispos, pastores e obreiros da Igreja Mundial do Povo de Deus, uma dissid√™ncia da Universal.

Apesar disso, resiste a adotar um discurso mais conservador, pois entende que, com o hor√°rio eleitoral, que come√ßa no s√°bado (1¬ļ) na TV e no r√°dio, tende a crescer.

O tucano vai dispor de cerca de 43% (5 minutos e 32 segundos por bloco) do¬†tempo total de propaganda, al√©m de 434 inser√ß√Ķes comerciais por emissora ao longo da campanha. Para efeito de compara√ß√£o, Bolsonaro ter√° 8 segundos por bloco e 11 comerciais.

Além disso, Alckmin não quer desagradar aos setores mais à esquerda do PSDB e do próprio eleitorado. Tendo o PT de um lado e Bolsonaro do outro, considera-se como o candidato do centro.

Recentemente, um v√≠deo do ex-governador defendendo a ‚Äúdiversidade‚ÄĚ circulou em um grupo de WhatsApp que re√ļne l√≠deres evang√©licos. Segundo as palavras de quem acompanhou os coment√°rios, o tucano foi ‚Äúmassacrado‚ÄĚ.

Sob condi√ß√£o de anonimato, um l√≠der evang√©lico disse √†¬†Folha¬†que nem Jesus conseguiu agradar a todos e encerrou a entrevista com a frase ‚Äúimagine o Alckmin‚ÄĚ.

Bolsonaro, por sua vez, antes dos debates, promove ora√ß√Ķes com seus assessores e faz quest√£o de gravar a cena e enviar as imagens para o mesmo grupo de WhatsApp.

‚ÄúOs evang√©licos, assim como outros segmentos da sociedade, querem ver seus representantes defendendo os seus valores‚ÄĚ, afirma Eduardo Tuma (PSDB), secret√°rio da Casa Civil do prefeito Bruno Covas (SP) e uma das pontes de Alckmin com o setor.

O ap√≥stolo C√©sar Augusto, da Igreja Fonte da Vida, afirma que ‚Äúa maioria dos evang√©licos est√° com Bolsonaro porque ele j√° se posicionou‚ÄĚ.

Tradicionalmente, os evangélicos não atuam como um grupo homogêneo, nem mesmo entre as neopentecostais.

A for√ßa da recomenda√ß√£o de votos dos l√≠deres das igrejas tamb√©m tende, historicamente, a ser mais aceita pelos fi√©is nas elei√ß√Ķes parlamentares do que nas majorit√°rias, como a presidencial.

Justamente por isso, afirma um representante do setor, os valores professados publicamente pelo candidato terão mais chance de atingir o coração do eleitor religioso.

‚ÄúOs evang√©licos est√£o esperando as defini√ß√Ķes para se posicionar‚ÄĚ, diz o bispo Robson Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra e presidente da Confedera√ß√£o dos Conselhos de Pastores do Brasil (Concepab).


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