07/12/2017- Brasília – DF, Brasil- Michel Temer em reunião com o Ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, Senador, Aécio Neves e prefeitos de municípios de Minas Gerais.
Foto: Marcos Corrêa/PR

Uma gravação de conversa obtida pela Polícia Federal em 2017 resultou na reabertura da investigação sobre a construção do aeroporto de Cláudio, feito pelo governo de Minas durante a gestão de Aécio Neves (PSDB), em 2010. O aeródromo, na região Centro-Oeste do Estado, foi instalado dentro de uma propriedade que pertencia a parentes do tucano.

Na semana passada, o promotor Eduardo Nepomuceno, da 17ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), solicitou a reabertura da apuração por conta das novas informações acerca do aeródromo, que já foi alvo de inquérito civil do MPMG entre 2009 e 2015.

Na avaliação do promotor, o inquérito – que havia sido arquivado em dezembro de 2015 por falta de provas – deve ser retomado por conta da conversa, gravada às 15h42 do dia 13 de abril de 2017, entre Frederico Pacheco, primo de Aécio, e um interlocutor ainda não identificado, em grampo da Polícia Federal. O áudio conteria indícios de que o aeroporto, de fato, mesmo tendo sido construído com dinheiro público do governo de Minas, poderia servir apenas para atender interesses particulares de Aécio e de sua família.

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No diálogo, o interlocutor ainda não identificado pergunta ao primo do senador tucano se alguém poderia abrir o portão do que seria um aeroporto para uma pessoa chamada “Duda”, que estaria chegando ao local de avião.

“Se o Duda tá descendo no avião, alguém vai abrir o portão pra ele ou não?”, questiona o interlocutor, enquanto Frederico Pacheco responde: “Sim, já deve ter aberto. Ele já deve ter saído e já deve ter fechado”. Na sequência, o interlocutor pergunta a identidade do visitante. “E quem é essa bênção de pessoa?”, indaga. “Deve ser o segurança do Aécio”, replica Pacheco. “Ah, ele tem a chave?”, questiona novamente o interlocutor. “Deve ter, estou imaginando na condição de alguém ir lá abri-lo. Eu não sei nem se vai, mas deve. Passa lá na porta”, conclui o primo do senador tucano.

No pedido de reabertura do inquérito, é colocado que a conversa mostra, “’prima facie’ (de imediato), que o aeroporto não cumpre sua finalidade pública, sendo, ao contrário, destinado a uso restrito daqueles que, inclusive, detêm as chaves do espaço”. “Tal suspeita, se verdadeira, mostra a inconveniência e inoportunismo do investimento público”, diz o documento.

Por conta da gravação obtida pela Polícia Federal, o MPMG também intimou Frederico Pacheco a prestar depoimento na quinta-feira (13).

Inicialmente, o inquérito foi aberto pelo MPMG em 2009 com o intuito de apurar denúncias de suposto superfaturamento na construção. O terreno em que o empreendimento foi construído, desapropriado em 2008, pertencia a parentes do tucano. As obras no local custaram cerca de R$ 14 milhões e foram concluídas em 2010.

 O Tempo


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