(Foto: geralt/Pixa bay)

Alzheimer é uma doença que afeta diretamente aos cuidadores, que sofrem com a sobrecarga emocional e física durante todo o processo. A rotina imposta pelo quadro do paciente é responsável por gerar um alto nível de estresse ao cuidador, que muitas vezes, pode levar a depressão.

A situação inclui cuidados como troca de roupas, higienização do paciente, dar alimentação, entreter, atenção para as locomoções, acompanhamento de remédios e diversas outras atividades, porém o quadro é agravado com agressões físicas, que muitas vezes são deferidas pelo paciente. “O desgaste físico é notório, já que é comum o cuidador se manter 24 horas em alerta. As atitudes do paciente são sempre improváveis, não é possível prever quando ele pode sair sozinho pela rua, ou tirar a roupa em público, ou até mesmo fazer suas necessidades em locais impróprios, por isso o cuidador muda a sua rotina e passa a viver apenas para suprir as demandas do paciente. Essa carga de estresse por tempo prolongado desencadeia sintomas de depressão que devem ser tratados com auxilio profissional.” Comenta a psicóloga da clinica Viver Bem, Luciane Nepomuceno.

ESTUDO

Segundo o estudo realizado pela Faculdade de Medicina da USP, cuidadores de pacientes com Alzheimer apresentam sintomas de ansiedade e têm cerca de cinco vezes mais chance de terem depressão. Esse é um panorama que chama a atenção dos especialistas. A psicóloga conta que é comum ver a carga para apenas uma pessoa, seja por abandono de outros familiares, seja por ter dificuldade em aceitar ajuda de outras pessoas, mas chegam psicologicamente destruídas no consultório.

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Algumas dicas podem ajudar para que o cuidador diminua as chances do estresse

– nunca recorra à racionalidade, tal como “Esse não é o João, é o Pedro”.
É importante entender que o doente esta com a capacidade cerebral comprometida, para ele o que é relatado é a verdade para a sua mente e não existe a possibilidade de alterar essa forma de pensar.

– Rejeição de cuidados
Quando o paciente não aceita o cuidado de uma determinada pessoa, é necessário que ela se afaste por alguns instantes até que se acostume com essa nova presença, introduza a pessoa aos poucos

– Em casos de negação de onde moram, escute e avise que em breve vocês irão. Caso o paciente insista, dê uma volta na rua.

– Evite explosões de emoções em frente ao paciente. Ele não sabe assimilar o que acontece ao seu redor e pode não encarar de forma natural.

“É importante atentar para esses cuidadores e orientá-los a respeito dos cuidados com pacientes de Alzheimer e também dos cuidados consigo. O trabalho psicológico é baseado na conscientização do novo cenário e aceitar suas limitações.” Conclui a psicóloga.


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