Lava Jato manipulou impeachment de Dilma, diz Aloysio Nunes

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, ex-senador tucano diz que o STF deveria tomar providências contra os abusos da força-tarefa

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em uma entrevista cedida à Folha de S.Paulo, o ex-senador Aloysio Nunes (PSDB) disse que a operação Lava Jato manipulou o impeachment de Dilma Rousseff. Nunes ainda afirmou que a eleição presidencial de 2018 foi manipulada por vazamentos da delação premiada do ex-ministro Antônio Palocci.

Segundo relatos do ex-senador tucano, se o ex-presidente Lula tomasse posse na Casa Civil, como queria Dilma, provavelmente ela não teria sido derrubada do poder. “Lula, que dizem que foi um governo socialista, governou com a direita. Teria rapidamente condições de segurar a base política. (…) Foi exatamente por isso que eles [Lava Jato] procuraram barrar, como conseguiram, a posse de Lula.”

O ex-senador diz que a interferência da operação ocorreu quando Moro divulgou  ilegalmente áudios de Lula com Dilma. Nunes disse ainda, que o vazamento da conversar — escrachada pela famosa frase do ex-presidente ‘tchau querida’— “evidentemente” foi uma “manipulação política do impeachment”.

Aloysio pontuou ainda que “eles manipularam o impeachment, venderam peixe podre para o Supremo Tribunal Federal. Isso é muito grave”.

Nomeação

O próprio Aloysio Nunes se beneficiou com a derrubada de Dilma Rousseff. Nunes foi nomeado ministro das Relações Exteriores do governo de Michel Temer.

Além disso, a “divulgação da delação de [Antonio] Palocci nas vésperas da eleição presidencial” também foi “manipulação política da eleição presidencial. Isso feito de caso pensado, como os diálogos revelaram.”

Cabe ressaltar que Aloysio Nunes é um dos investigados da operação Lava Jato.

O ex-senador sempre foi um defensor da operação Lava jato e chegou a dizer, em 2016, que nada poderia barrar a operação. Depois dos vazamentos de conversas entre Moro e integrantes do Ministério Público, o tucano mudou de opinião. “Depois das revelações, eu fico profundamente chocado com o que aconteceu na Lava Jato. Acho que o Supremo tinha que tomar providências, uma vez que o Conselho Nacional de Justiça não sei se tomará”, disse.

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