Alunos realizam resgate da tradicional festa da Congada em Canápolis

Os jovens que realizaram o trabalho de resgate cultural são estudantes da Escola São Francisco de Assis. Os alunos sentiram de perto a emoção e a fé

Resgate da tradicional festa de Congada em Canápolis é realizado por alunos (Foto: Casa de Cultura de Canápolis)
Resgate da tradicional festa de Congada em Canápolis é realizado por alunos (Foto: Casa de Cultura de Canápolis)

No dia 27 de outubro de 2019, foi realizado um dos maiores espetáculos culturais no Município de Canápolis, situado no Triângulo Mineiro. Um encontro de congadas ocorreu no espaço da Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. A Festa em louvor a Nossa Senhora do Rosário e São Benedito é um Bem Patrimonial, Registrado pelo Setor de Patrimônio do Município de Canápolis.

A festividade contou com a participação de vários ternos de cidades circunvizinhas como, Santa Vitória – MG, Centralina – MG, Cachoeira Dourada- MG, Itumbiara – GO, e tantas outras, que abrilhantaram ainda mais o evento.

Com o intuito de apresentar à população, maior entendimento sobre o movimento de Congadas, foi feito pelos alunos dos 6º anos “B” e “C” da Escola Estadual São Francisco de Assis, um levantamento de informações sobre a origem da festa, os rituais promovidos, e principalmente o significado cultural desta, para tanto, foram feitas entrevistas e pesquisas.

O grupo analisado pelos alunos foi o Terno Coroa de Ouro, que é atualmente comandado pelo senhor Cloves Nascimento dos Santos, avô paterno dos alunos Pedro Henrique Nascimento Silva do 6º ano ‘B’ e Mirele Albenes Silva Batista do 6º ano ‘C’. Em entrevista na sala de aula, o Capitão do Terno Coroa de Ouro, falou com emoção da resistência cultural, o que chamou atenção é a tradição considerada herança que passa de pai para filho e assim para os netos,  dando sequência na tradição do povo que descente dos escravos oriundos da África e vindos ao Brasil de forma compulsória. 

 Nos primeiros anos desta festa, os voluntários saíam pelas ruas da cidade para angariar prendas, mantimentos e esmolas, tudo com muita dificuldade, tanto pela situação socioeconômica quanto pelo preconceito de muitas pessoas pouco instruídas ou simplesmente por serem intolerantes.

Antes do dia da festa, os ternos realizam novenas por vários dias seguidos e finalizam na noite que antecede a festa com o hasteamento dos mastros com as imagens de Nossa Senhora do Rosário e são Benedito. 

Atualmente a prefeitura da cidade de Canápolis subsidia, através dos recursos do FUMPAC – Fundo Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural a festa com as fardas (uniforme) do terno, instrumentos, logística e toda infraestrutura necessária para a realização do evento (banheiro químicos, tenda, ornamentação, som, palco…) e até mesmo comida.

Os participantes que veem dos arredores do município são recebidos com muita música e rituais diversos que demonstram o contentamento dos anfitriões em receber os demais irmãos. Assim que chegam, antes mesmo do primeiro café, eles vão até a igreja cumprimentar os santos homenageados. Um momento de muita devoção.

A comida é prepara com antecedência, vários voluntários, homens, mulheres e crianças que passam a noite toda preparando, com muito carinho e muita oração os alimentos que serão oferecidos a todos os presentes da ocasião.

Após todos terem feito sua primeira refeição do dia, os ternos se organizam para sair pelas ruas com seus membros e instrumentos, cantando e dançando em celebração as graças recebidas por Nossa Senhora do Rosário e por São Benedito, ato este que se estende até o almoço. Após a comida, o capitão agradece a todos que colaboram com o preparo dos alimentos e rogam por suas vidas.

Realizado o almoço, todos os ternos saem em busca da Rainha, de modo que nunca a rainha é buscada por seu próprio terno, sempre ela se apresenta com outro capitão. Os ternos continuam em procissão até o local que está o andor com as imagens dos santos. Ainda em procissão seguem para a igreja, cada terno despede dos santos e logo em seguida inicia a missa.

 O projeto foi orientado pelo Professor Flaviano Rodrigues – Graduado em Licenciatura Plena em História pela Universidade do Estado de Goiás, Unidade de Itumbiara – GO, Graduado em Geografia pela Universidade Serrana e Mestre em História Política e Social pela Universidade Federal de Uberlândia.

Todos os levantamentos expostos nesse texto, foram feitos pelos alunos que se preparam para acompanhar a festa através de pesquisas na Casa de Cultura – Setor de Patrimônio, entrevistas com os colegas de sala , entrevistas no dia da festa com os integrantes dos ternos da cidade e da região e com a sintetização do Projeto que ocorreu com a presença do  senhor Cloves Nascimento na sala de aula, que explicou os simbolismos, a tradição e o sentimento de pertencimento à cultura africana, que resiste a todas as imposições culturais.

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