Luto infantil: Você já falou sobre isso com seu filho(a)?

O ideal é que se aborde a morte com os filhos quando este tema surgir ou quando houver alguma situação fúnebre

Arte (Tudo Em Dia)
Arte (Tudo Em Dia)

Abordar o luto infantil não precisa ser um tabu. Muitos pais tem dúvidas em como falar sobre morte para os filhos e como ajudá-los a vivenciar esse momento. Não existe idade certa para se falar sobre morte com os filhos e o mais apropriado é que se fale sobre o assunto quando este surgir, seja pelo adoecimento ou falecimento de alguém próximo ou pela curiosidade da criança.

É muito importante explicar através de exemplos práticos, como por exemplo aquele pezinho de feijão que foi plantado, cresceu, viveu por um tempo e depois morreu.

Quando falamos sobre morte existem três pontos extremamente importantes que as precisam ir compreendendo ao longo do tempo:

  • Universalidade: tudo que vive um dia irá morrer;
  • Irreversibilidade: quando se morre não há volta;
  • Não funcionalidade: depois de morto não se pensa, corre, dorme ou age.

Ao falar sobre a morte de alguém para a criança seja verdadeiro e não esconda ou invente histórias. Caso tenha sido uma morte trágica ou violenta procure a ajuda de um profissional para se orientar sobre como informar a criança.

Além disso, evite falar sobre a morte de forma abstrata ou usando metáforas, pois isso pode dificultar a compreensão da criança sobre a morte. Ao dizer que a pessoa foi fazer uma longa viagem, por exemplo, a criança poderá começar a acreditar que todo mundo que viaja nunca volta.

Velórios e enterros

Outra dúvida comum dos pais é sobre a participação das crianças em velórios e enterros. Ao contrário do que se pensa as crianças se beneficiam emocionalmente ao participar de todo esse processo. É necessário explicar para criança o que é um velório e um enterro e deixá-la decidir se gostaria de ir ou não, frisando a importância de se despedir do ente querido.

Informe que se ela quiser pode ficar do lado de fora e que caso decida entrar você estará com ela. Os rituais de passagem nos auxiliam a vivenciar melhor a despedida.

Nada de traumas

Especialistas afirmam que participar dos rituais não traumatizam as crianças e favorecem o fortalecimento da resiliência.

A criança enlutada precisa de compaixão e o apoio de um adulto próximo não somente por dias ou semanas, mas pelos próximos meses. É importante mostrar para a criança que ela sempre terá alguém para cuidar dela, principalmente quando a morte foi de um dos seus genitores.

Compartilhe o sentimento familiar

No ambiente familiar evite excluir a criança dos momentos de tristeza vivenciados pela família. Assim a criança compreende que além dela a família está sofrendo e sente saudades. Permita que a criança fale sobre seus sentimentos e dê a ela apoio e acolhimento. Além disso, é essencial comunicar a escola sobre a morte da pessoa próxima a criança para que ela possa receber também o apoio dos professores e colegas.

Jamais tente encontrar um substituto para o relacionamento que a criança teve com a pessoa que partiu. Sobretudo, não devemos ensinar as crianças que pessoas são substituíveis.

Mudanças comportamentais podem ocorrer, portanto, além de tristeza e raiva a criança pode começar a ir mal na escola, ficar constantemente agitada e até voltar a fazer xixi na cama. Nesse caso deve-se considerar a ajuda de um psicólogo.

Lidar com a morte não é fácil para nenhum de nós e muitas vezes pensamos que crianças devem ser excluídas de situações que gerem sofrimento como a morte de alguém e a participação nos ritos de passagem, porém vivenciar esse processo facilita a compreensão de que as coisas tem fim. Assim como educamos os filhos para a sociedade precisamos educá-los para a morte, pois esta faz parte do processo natural da vida e portanto não devemos ocultá-la.

Filme sobre luto infantil: Up, Altas Aventuras.


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