Moro diz em entrevista que Bolsonaro não apoiou o combate à corrupção

O ex-ministro da Justiça cedeu entrevista exclusiva ao programa dominical ‘Fantástico’, da Tv Globo, e disse que se sentia constrangido em reuniões com o presidente Bolsonaro

Agência Brasil Ex-ministro Sérgio Moro
Agência Brasil Ex-ministro Sérgio Moro

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, cedeu entrevista exclusiva ao programa ‘Fantástico’, da TV Globo, no último domingo (24.maio.2020). A entrevista havia sido gravada pela manhã via aplicativo de conversa.

Na entrevista, onde conversa com a jornalista Poliana Abritta, Sérgio Moro faz afirmações incisivas contra o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido).  Moro disse que o presidente não se empenhou no combate à corrupção.

O ex-ministro, sobretudo, criticou o loteamento de cargos promovido por Bolsonaro — eleito em 2018 sob mote de combater a corrupção e não praticar o que alcunhava de ‘velha política’. Sérgio Moro criticou a aproximação do governo com políticos do Centrão e disse na entrevista que saiu para não trair seus princípios.

“… me desculpem aqui os seguidores do presidente, se essa é uma verdade inconveniente, mas essa agenda anticorrupção não teve um impulso por parte do presidente da república pra que nós implementássemos.

Na última sexta-feira (22.maio.2020), foram divulgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) trechos da reunião ministerial onde o presidente Bolsonaro teria dado indícios de interferência na Polícia Federal. O Tudo Em Dia publicou todos os trechos, confira.

Poliana Abritta pressionou o ex-ministro.

Poliana Abritta: Em que momento o senhor sentiu que o presidente estava tentando agir de forma a que a Polícia Federal atendesse aos desejos dele, às necessidades dele?

Sergio Moro: Tem que entender, no fundo, essa questão da interferência na Polícia Federal, ela vem num contínuo, na qual ingressei no governo, e até dei uma entrevista na época ao Fantástico, muita clara de que eu tinha um compromisso com combate à corrupção, com combate à criminalidade violenta, combate ao crime organizado. E, em partes, foi realizado – especialmente à criminalidade violenta – o combate ao crime organizado. O que eu entendi, no entanto, é que essa agenda anticorrupção – e me desculpem aqui os seguidores do presidente, se essa é uma verdade inconveniente -, mas essa agenda anticorrupção não teve um impulso por parte do presidente da república pra que nós implementássemos.

Poliana Abritta: Por que o senhor não saiu antes?

Sergio Moro: Eu fui permanecendo porque tinha esperança de avançar com essa agenda. Fui vendo essa agenda sendo esvaziada e, para mim, realmente a gota d’água foi essa interferência na Polícia Federal. Em particular porque a Polícia Federal também investiga mal-feitos dos próprios governantes.

Poliana Abritta: É que o senhor ficou lá um ano e quatro meses, né ministro? Bom, durante essa reunião, foram quase duas horas. O senhor falou somente por duas vezes. O senhor passou quase o tempo todo de braços cruzados, calado. Por quê?

Sergio Moro: Quanto às questões relativas à interferência da Polícia Federal, eu tinha uma reunião com o presidente na quinta-feira, no dia seguinte. E, sinceramente, acho que esses assuntos eram mais apropriados para serem discutidos numa reunião entre eu e o presidente.

Poliana Abritta: Mas aí, durante a reunião, o ministro da Educação diz, por exemplo: ‘ eu, por mim, botava esses vagabundos na cadeia, começando pelo STF’. O senhor, que já foi juiz, se calou. Por quê?

Sergio Moro: Eu não sou o presidente da reunião.

Aumenta rejeição a Bolsonaro após divulgação de vídeo de reunião ministerial

Segundo levantamento, quase 60% dos comentários nas redes sociais foram de ataques e críticas ao presidente

A princípio, a rejeição ao governo Bolsonaro aumentou após a divulgação da reunião ministerial. Isso é o que mostra monitoramento das discussões e interações no Twitter feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas.

De acordo com o monitoramento, o repúdio ao governo Bolsonaro alcançou mais de 58,4% das interações no Twitter em 24 horas, gerando uma nova convergência da oposição, que desta vez reuniu desde deputados da esquerda ao ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

Já a base de apoio ao presidente também esteve bastante ativa, chegando a 19% das interações. No entanto, apesar da “energização”, a base bolsonarista se mantém “cada vez mais isolada” e “dependente dos próprios influenciadores e da atividade destes. “Ao contrário da base de oposição, que agora conta com ex-membros do governo e antigos apoiadores de Bolsonaro”, afirma o estudo.

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