Após criticar Bolsonaro, Ciro Gomes vira alvo da Polícia Federal

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Ciro Gomes | Foto: André Carvalho/CNI
Ciro Gomes | Foto: André Carvalho/CNI

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) virou alvo da Polícia Federal pela suposta prática de crime contra a honra do presidente Jair Bolsonaro após criticá-lo durante entrevista. O pedido para abertura do inquérito foi feito pelo próprio presidente, sob alegação de “crime contra a honra” . As informações são do Estadão.

O documento cita uma entrevista à Rádio Tupinambá, de Sobral (CE), em novembro do ano passado, na qual Ciro afirmou que a população, ao não apoiar os candidatos de Bolsonaro, mostrava um sentimento de “repúdio ao bolsonarismo, à sua boçalidade, à sua incapacidade de administrar a economia do País e seu desrespeito à saúde pública”. Também o chamou de “ladrão” e citou o caso de “rachadinha” que envolve seus filhos ao falar das pretensões políticas do ex-juiz Sérgio Moro.

“Qual foi o serviço do Moro no combate à corrupção? Passar pano e acobertar a ladroeira do Bolsonaro. Por exemplo, o Coaf, que descobriu a esculhambação dos filhos e da mulher do Bolsonaro, que recebeu R$ 89 mil desse (Fabrício) Queiroz, que foi preso e é ladrão, ladrão pra valer, ligado às milícias do Rio de Janeiro. E onde estava o senhor Sérgio Moro? Acobertando”, disse Ciro. Em cerca de uma hora de entrevista, Ciro ainda traçou cenários eleitorais de 2022 e fez análises sobre as crises sanitária e econômica enfrentadas pelo País. 

“Fui informado da abertura desse inquérito há cerca de dez dias. Estou pouco me ligando”, disse Ciro nesta sexta-feira, 19. O caso corre na Justiça Federal do DF. Segundo despacho do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, Ciro é alvo de investigação policial com base do artigo 145 do Código Penal, que trata sobre crime contra a honra. Procurado pelo Estadão, o ministério não comentou.

O presidente e seus filhos também tem recorrido à Polícia Federal para cercear críticos que o alcunham de ‘genocida’

O youtuber Felipe Neto foi intimado na última segunda-feira (15.mar.2021) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro para depor em uma investigação por suposto “crime contra a segurança nacional” por ter chamado Bolsonaro de “genocida” em sua conta no Twitter.

A investigação foi aberta a pedido do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho de Jair Bolsonaro, que protocolou uma petição denunciando o suposto crime.

Na última quinta-feira (18.mar.2021), a Justiça concedeu, em caráter liminar, um habeas corpus suspendendo a investigação por crime de segurança nacional. Na decisão, a juíza Gisele Guida de Faria afirma que a Polícia Civil não tem competência para investigar o caso, que deve ser atribuição da Polícia Federal. A juíza também diz que, de acordo com a própria Lei de Segurança Nacional, “a apuração só poderia ter sido iniciada por requisição do Ministério Público, de autoridade militar responsável pela segurança interna ou do ministro da Justiça”. Em vez disso, a solicitação de investigação partiu do filho do presidente Jair Bolsonaro.

A Covid-19 já fez mais de 285 mil vítimas no Brasil.

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Apoio:

Alexandre Santos Gomes advogado em Capinópolis

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