Marcha do golpe de 1964 será reeditada neste domingo (11) em todo o Brasil. Ituiutaba apoia ação

Em junho de 1964, após a ‘Marcha da Família com Deus pela Liberdade’, o Brasil viveu 21 anos de um período obscuro e sem direitos básicos à liberdade. Um país com aversão à leitura, história e ao conhecimento, comete o crime de reeditar ações golpistas

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Por Paulo Braga

Brasil. Um país que demonstra aversão ao conhecimento, à leitura e direitos democráticos, tende a reeditar erros registrados no seu passado.

Circula nas redes sociais o convite para a “Marcha da família cristã pela liberdade e democracia”. A ação é uma cópia da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” registrada em 19 de março de 1964 — dias antes da intervenção militar que resultaria no golpe e implementação da ditadura que durou 21 anos.

A marcha surge após a decisão do Supremo Tribunal Federal de manter fechamento de igrejas durante a pandemia. Em nome do importante apoio de religiosos, Bolsonaro perdoou dívida de R$1,4 bilhão de igrejas — recurso importante para o enfrentamento à Covid-19.

Ação que visa reeditar o golpe de 1964 será realizada neste domingo (11.abr.2021) e deve ter participação de extremistas em várias cidades do Brasil. Ituiutaba, no Pontal do Triângulo Mineiro, é a única cidade da região que apoia o evento.

Como forma de dissimular o caráter golpista no Brasil, é divulgado que a ‘organização’ espera que o evento seja realizado nos Estados Unidos, Israel, Alemanha e Portugal. Cabe ressaltar que os Estados Unidos tem a maior e mais forte democracia no mundo e a Alemanha detém mecanismos sólidos que evitam a reedição do holocausto. Holocausto, também conhecido como Shoá, foi o genocídio ou assassinato em massa de cerca de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, no maior genocídio do século XX.

O único parlamentar a apoiar o evento até o momento, é o ex-condenado no esquema do mensalão e presidente do PTB, Roberto Jefferson. O deputado integra o governo Bolsonaro, após loteamento ao ‘Centrão’, em nome de apoio no Congresso Nacional.

Mesmo com mais de 4 mil mortes por dia, falta de vacina e falta de medicamentos, líderes querem a reabertura de templos

Valdemiro Santiago, televangelista brasileiro, fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus, e Silas Malafaia, lutam pela reabertura de templos. Malafaia é o fundador da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e sempre adota um tom desequilibrado em suas falas.

Santiago — que chegou a vender sementes de feijão contra a Covid-19— criticou as medidas de Alexandre Kalil (PSD), prefeito de Belo Horizonte, que se opõem a reabertura de templos. “Todo mundo que deseja enfrentar Deus é louco. Porque isso foi ordem de Deus [se referindo a reabertura templos]”, comentou o pastor em um culto, logo após a liberação de encontros religiosos em decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Kassio Numes Marques. A decisão foi cassada.

O pastor Malafaia chamou o ministro do STF, Gilmar Mendes, de “cara de pau” e “negacionista da Constituição” por restringir cultos religiosos durante a pandemia da covid-19.

Com o objetivo de encobrir o desgoverno frente ao combate à pandemia no Brasil, os lacaios do poder buscam um debate lateral para esconder a pandemia. Um cortina de fumaça que busca uma ‘guerra religiosa’.

O deputado do baixo clero e sem expressão política, Marcos Feliciano, disse — “Os evangélicos brasileiros estão sofrendo perseguição religiosa por parte de autoridades que fazem oposição ao governo federal”, afirma Feliciano. “Nem todo evangélico é bolsonarista, mas eles pensam que sim.” A informação é da Folha de S. Paulo.

Em um momento que os brasileiros morrem de fome, o governo Federal facilita a compra de armas. Em um de seus decretos mais recentes, o presidente aumentou o limite de armas permitidas para os cidadãos comuns, que agora podem comprar seis. E ampliou esse limite para oito armas para algumas categorias profissionais, como a de policiais, de membros da magistratura e do Ministério Público.

Minas é o 2º Estado com maior número de mortes

Segundo o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que flertou com o negacionismo e hoje colhe os frutos de sua ação, disse, na última quinta-feira (8), que o estoque de sedativos para intubação de pacientes estava muito baixo no Estado e havia risco de faltar medicamentos. O deputado federal Newton Cardoso Jr. (MDB-MG) anunciou na manhã deste sábado (10) em sua conta no Twitter que o Ministério da Saúde enviará um lote de kits de intubação para pacientes graves com a Covid-19 em Minas Gerais.

Minas Gerais tem mais de 1,2 milhões de casos registrados de Covid-19. Até o momento, 27.250 pacientes já perderam a vida em decorrência da doença.

Com lives, qual o motivo dos cultos e missas presenciais?

Alguns líderes religiosos, que se posicionam como empresários da fé, tem a necessidade financeira de manter os cultos e missas de forma presencial.

Em nome deste importante apoio, Bolsonaro perdoou dívida de R$1,4 bilhão de igrejas.