Ninguém aqui está defendendo qualquer tipo de violência. O que verdadeiramente sonhamos é com um país que viva em paz e seja menos desigual. Assim como no esporte, a segurança pública possui milhões de técnicos e especialistas. Todo mundo dá um palpite.

O jogo deveria ter sido assim. A operação deveria ter sido assado. Como jornalista já estive em centenas de operações policiais em Minas e também fora do Estado, e sei avaliar bem a quantidade de adrenalina jogada no sangue durante uma ocupação a uma favela e uma troca de tiros. O instinto de sobrevivência fala mais alto e os envolvidos ficam com os sentidos em alerta máximo.

Quando o primeiro disparo é feito por lado, a resposta é imediata. Toda incursão necessita ser meticulosamente pensada, articulada, planejada, para que o resultado seja o menos letal possível. Mas ninguém consegue prever o minuto seguinte. Afinal, os dois lados utilizam armas de guerra e equipamentos pesados. 

Diante de tudo isso, fico aqui pensando com os meus botões: como é que burocratas de ar-condicionado podem dar as mais diversas opiniões dos fatos se nunca estiveram sequer como espectadores no teatro de combate?

CCAA Capinópolis

Para não haver julgamentos precipitados para nenhum dos lados, sugiro que a polícia convide para as próximas operações um sociólogo, um criminólogo, um jornalista, um juiz, um defensor público, um representante da OAB, um promotor, um deputado e tantos outros que se fizerem necessários para que possam sentir o que é a vida dentro de um morro, onde de um lado está o crime organizado representado por uma minoria e, do outro, o Estado, que defende a Lei e a Ordem. Que todos estes estejam devidamente protegidos com coletes e outros equipamentos, mas que caminhem pelos becos e vielas com a maior isenção, anotem tudo em um caderno e depois deem suas opiniões. 

Os profissionais aqui citados, são apenas alguns representantes legítimos da sociedade, que devem, sim, opinar, criticar, elogiar, condenar ou absolver todos os personagens ali envolvidos. O que não pode é não ser isento. Vamos dar a César o que é de César. Afinal, neste país, não basta ser honesto. É preciso mostrar.

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