O nome dela é Eduarda Bittencourt Simões, mas todo mundo a conhece como Duda Beat. Pernambucana radicada no Rio de Janeiro, a artista, que tem 33 anos, é um dos fenômenos recentes da música nacional. Graças à internet, viu as faixas de seu primeiro álbum, “Sinto Muito” (2018), caírem na boca do povo. Passados três anos desde o lançamento de seu trabalho de estreia, a cantora e compositora, figura constante em festivais de música pelo país, apresenta “Te Amo Lá Fora”, segundo disco da carreira, que mostra uma nova Duda, que continua a falar de amor, mas explorando outros gêneros musicais.  

Em conversa com O TEMPO, a cantora explicou quem é a Duda Beat que está presente nas 11 faixas de “Te Amo Lá Fora”. “Uma mulher mais madura e que consegue olhar sua história com mais tranquilidade e acolhimento. Uma mulher que se ama em primeiro lugar, que sofre por amor, sim, mas que também se levanta e que eventualmente descobre que o amor correspondido é maravilhoso!”, definiu a artista.   

Assim como no álbum de estreia, o amor em seu estado mais sofrido está presente no novo trabalho de Duda. “O amor, os assombros que o amor traz, o choro preso na garganta… Mas também a superação e o entendimento de que um amor não correspondido não é o fim do mundo, está tudo bem se não der certo. Ninguém é obrigado a nada nesta vida, nem a me amar, muito menos a me amar como eu quero ser amada”, comentou a cantora.  

“Meu Pisêro”, primeiro single do álbum, é um exemplo dessa sofrência e, ao mesmo tempo, de superação de que Duda fala. “Pra mim tá tudo perdoado/ Ninguém é obrigado a me amar assim/ Morri, eu fiquei aos pedaços/ Mas tu não é culpado de não me amar assim”, canta a pernambucana no verso final da canção. “‘Te Amo Lá Fora’ tem espaço também para o amor correspondido, para a alegria que isso traz. Para mim, é um álbum maduro, profundo e que dialoga com todas as fases do amor”, acrescentou ela. 

CCAA Capinópolis

 

Tour por diferentes estilos 

“Te Amo Lá Fora” mostra um amadurecimento de Duda Beat não só nas letras. No novo projeto, a cantora transita por diversos gêneros musicais e se sai muito bem nessa experimentação – um tempero que faz toda a diferença no projeto. “O Nordeste é uma referência muito grande para mim, tanto que as suas participações são de artistas nordestinos”, disse Duda. “Brega, coco, forró, maracatu, frevo, xote, baião… cresci ouvindo tudo isso! Tem o pop, que não tenho como deixar de fora. Para esse disco, ainda trouxe o pagotrap, house, reggae, piseiro…”, pontuou ela. 

A pisadinha, ou piseiro, que se tornou popular no Brasil com bandas como Barões da Pisadinha, está presente em “Meu Pisêro”. Em “Nem um Pouquinho”, Duda trouxe um pagotrap – que é um pagodão baiano com trap. “Quando a gente pensou no pagotrap, falei que convidaria o Trevo (cantor e compositor baiano). Ele é tão talentoso. Tinha certeza de que agregaria muito ao trabalho. E foi o que aconteceu”, comentou. 

Já “Tu e Eu”, que abre o álbum, é um coco que conta com a participação da também pernambucana Cila do Coco. “Esse encontro de gerações da música pernambucana é uma exaltação também à minha história, às minhas origens, e honra do Cila como a artista potente que ela é”, afirmou Duda.  

 

Disco na quarentena 

“Te Amo Lá Fora” foi lançado no dia 27 de abril, mesmo dia em que o álbum “Sinto Muito” havia estreado, há três anos. Logo na semana de estreia, todas as 11 músicas do novo álbum foram parar no top 200 do Spotify no Brasil – plataforma que, há duas semanas, estampou o rosto da artista em telões da Times Square, em Nova York.  

O disco, contou Duda, era para ter sido lançado no ano passado. “Com a pandemia, decidi adiar, pensando que este ano talvez já pudesse lançar e fazer show. Ainda não tenho previsão de quando o show virá, mas senti que era hora de ‘Te Amo Lá Fora’ ganhar o mundo. Ele está pronto, do jeitinho que eu queria que ficasse”, disse a cantora. 

O álbum, produzido pela dupla Lux & Tróia (Lux Ferreira e Tomás Tróia), foi criado em um sítio em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, em 2020. Foi lá que ela e sua equipe ficaram sabendo da pandemia. “Por muitas vezes, durante o processo, pensei se valeria a pena lançar, porque tudo que eu diga agora parece insuficiente diante da dor do mundo, desse caos, dessa desolação. Mas a música, a TV e o cinema nos ajudam a justamente seguir em frente, a criar comunidade; mostra que não estamos sozinhos. Esses sentimentos, eu acredito, nos dão força para continuar”, garantiu Duda. 

O primogênito 

Lançado em 2018, “Sinto Muito”, primeiro álbum de Duda Beat, faz sucesso ainda hoje. “Bixinho”, que se tornou um dos grandes hits da cantora, foi parar na trilha sonora da novela “Amor de Mãe”, da Globo. A música também ganhou uma versão, na voz de Juliette Freire, no “Big Brother Brasil 21” – Duda, inclusive, quer fazer um feat com a campeã do reality. 

 

Para Duda, toda essa receptividade ao seu álbum de estreia, que também foi bastante elogiado pela crítica, é algo muito especial. “‘Sinto Muito’ foi um projeto muito delicado. Eu me coloquei muito vulnerável ali, abri minhas dores, mostrei o que machucava, o que eu ainda precisava curar… E foi uma catarse a proporção que tudo tomou”, disse a cantora e compositora. “As pessoas se identificando, falando que as músicas traduziam o que elas estavam passando… Isso para mim foi muito especial. Fiquei imensamente feliz de ter me mostrado assim e ter criado essa conexão tão genuína e profunda com quem me escuta”, afirmou.

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