Garis seguem sem data para serem vacinados em BH, após greve

Categoria é a 28ª da lista de grupos prioritários do Plano Nacional de Imunizações (PNI)
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Quase dois meses após a paralisação dos trabalhadores da limpeza urbana em Belo Horizonte pela vacinação contra Covid-19, garis e motoristas de caminhões de coleta de lixo ainda não têm data para serem vacinados, contudo não indicam uma nova greve, por ora.

De acordo com Paulo Roberto da Silva, presidente do sindicato que representa a categoria, o Sindeac, a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) teria informado à entidade que, dependendo da chegada de novas doses de vacina a BH, o início da vacinação dos garis e motoristas da coleta poderia ser definido ainda nesta semana.  Questionada pela reportagem, a PBH não confirmou a informação. Por ora, a prefeitura segue vacinando idosos, pessoas com comorbidades e trabalhadores da saúde

“A SLU me informou que o cadastro de todos os trabalhadores para vacinação foi feito. Não sabemos como vai começar a vacinação, se por função do trabalhador, idade ou ordem alfabética”, diz Silva. Em abril, a prefeitura abriu o cadastro para profissionais da limpeza urbana serem contabilizados e vacinados na cidade. O processo está sendo concluído, de acordo com a prefeitura. 

A intenção original da categoria era ser alocada no grupo de vacinação dos trabalhadores da saúde em BH, segundo o Sindeac. No final de abril, um mês após a paralisação dos garis em BH, eles foram incluídos nacionalmente entre os grupos prioritários da vacinação pelo Ministério da Saúde, na edição mais recente do Plano Nacional de Imunizações (PNI). 

Pelo documento, eles são o 28º grupo prioritário, o último da lista, atrás de trabalhadores da educação e dos industriais, por exemplo. Segundo a prefeitura, a ordem será seguida e não poderia ser modificada pelo Executivo municipal. “Esse entendimento foi reiterado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A Secretaria Municipal de Saúde solicitou formalmente autorização aos órgãos de competência para vacinação dessas categorias profissionais por reconhecer a importância da vacinação, e aguarda retorno”, diz, por meio de nota. Por enquanto, a prefeitura chegou ao 14º grupo, de pessoas com comorbidades. 

Garis relatam dia a dia de tensão à espera da vacina

Enquanto aguardam a vacinação, profissionais da limpeza urbana relatam um cenário de risco diário. “A gente acha máscara e luva jogada no chão e nas lixeiras. E, na rua, tem muita gente que vem pedir informação, alguns até abaixam a máscara para falar. Eu moro com a minha família e fico com receio de levar o vírus para casa, mesmo sem ter sintomas”, descreve o gari Yuri Ribeiro, 20. Durante a pandemia, ele varre ruas na região da Savassi por cerca de seis horas todos os dias. 

De acordo com estimativas do Sindeac, 30% dos trabalhadores do setor  em BH contraíram Covid-19. Mas, segundo a prefeitura, a taxa de confirmações não chega a 10%: entre cerca de 3.000 trabalhadores, foram confirmados 217 casos e um óbito. “O maior risco é o dos coletores de lixo, porque recolhem o lixo em residências onde as pessoas podem estar contaminadas e o lixo não é sinalizado adequadamente. Eles correm atrás dos caminhões e nem sempre conseguem usar máscara. Depois, vão às padarias, supermercados e, involuntariamente, são transmissores do vírus”, diz Paulo Roberto da Silva, presidente do Sindeac. 

No início deste mês, depois de nove meses desempregado, o coletor de resíduos sólidos Mário Borges, 49, morreu poucas semanas após conseguir um novo emprego na traseira de um caminhão de lixo. Por receio de pedir uma licença médica ainda no início da experiência, segundo sua esposa, Juliana Borges, 36, ele teria relutado em procurar um médico e trabalhado com sintomas gripais sem saber que estava com Covid-19. 

“Ele foi piorando e, quando começou a perder o ar, eu falei que o levaria ao hospital nem que fosse arrastado. Ele ficou no oxigênio por três dias e depois foi entubado. Em qualquer lugar, estamos correndo risco. Tinha dia em que ele pegava ônibus lotado para ir trabalhar”, relata Juliana. 

A prefeitura pede que as máscaras sejam descartadas em um saco impermeável, na rua ou em casa. No lixo domiciliar, o ideal é que elas sejam descartadas em um saco independente, que pode ser colocado dentro de um maior com o restante do lixo. É importante respeitar o peso máximo dos recipientes e a ocupação de no máximo dois terços deles para impedir que se rompam.

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Apoio:

Alexandre Santos Gomes advogado em Capinópolis

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