Covid: alta na transmissão em BH pode causar novo colapso, alerta infectologista

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A taxa de transmissão (RT) do coronavírus em Belo Horizonte preocupa os integrantes do Comitê de Enfrentamento da Covid-19 da prefeitura. Após uma semana de oscilação com tendência de alta, o RT na capital estabilizou em 1,08, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado nessa quarta-feira (26). No entato, ainda é cedo para tirar conclusões.

“A estabilização foi boa, mesmo que em patamar alto, mas ainda é extremamente preocupante porque nós estamos acima de 1, e um dia de estabilização ainda não tem muito significado. Nós temos que acompanhar uma média de mais dias para entender melhor essa curva”, explica o infectologista Estevão Urbano, membro do comitê.

Com a aproximação de mais um feriado prolongado, Corpus Christi, o infectologista reforça que o momento requer bastante cuidado e faz um alerta. “Não dá para relaxar, por mais difícil que seja, por mais desgastante que seja também, mas (é importante) não viajar, não fazer aglomerações, reuniões”, reforçou. “A vacina não garante 100% da proteção. As pessoas têm que continuar distanciadas, usando máscara, porque se nós perdermos o controle dessa curva haverá de novo um colapso da saúde com milhares de mortes”, alertou Urbano.

Além do feriado, o atraso na vacinação, o período de inverno e a presença de variantes também preocupam em relação ao controle da Covid-19 em BH. 

“A gente está muito preocupado, a pandemia está longe de seu controle. Temos o atraso de vacinação, o período de inverno. A taxa de ocupação (de leitos) também não nos dá um alento, acima de 80% o tempo todo. A variante P.1, predominante, tem a capacidade de evadir a resposta imune e causar reinfecção. E ainda tem a ameaça da variante indiana”, explicou o infectologista Unaí Tupinambás, que também integra o comitê de enfrentamento à Covid. 

Segundo ele, quase todo o Brasil está com o RT acima de 1, o que preocupa para os próximos meses. Para o infectologista, junho e julho serão meses críticos. 

“Teremos um ano muito difícil pela frente. A gente mal sai da primeira (onda), vem a segunda, mal sai da segunda, vem um repique. É como se fosse uma inundação”, explicou o infectologista, afirmou.

Ele reforçou que os protocolos de segurança sanitária devem ser mantidos. “É importante que a população continue com as medidas de prevenção. Se puder ficar em casa, fique em casa. Se for a um restaurante, dê preferência a lugares abertos. No transporte público use duas máscaras. Se puder trabalhar de casa, prefira”, disse. O infectologista lembrou que, atualmente, a maior parte dos leitos de UTI estão ocupados por pessoas jovens.

Fechamento da cidade

Sobre a possibilidade de um novo fechamento da capital, os dois infectologistas ouvidos pela reportagem de O TEMPO disseram que não há discussão sobre isso no momento, mas o acompanhamento e a discussão são constantes.

“A gente acompanha os números, e se os números ficarem insustentáveis, não há outra alternativa”, explicou Estavão Urbano.

 

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Alexandre Santos Gomes advogado em Capinópolis

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