Minha mãe sempre diz que quem não envelhecer vai ficar “no meio do caminho”. Eu, ouvindo essa frase ao longo da vida, comecei a acreditar que é na velhice que a gente se iguala a todo mundo. Ao contrário da infância, que também é uma fase de muitas demandas, é apenas na terceira idade que as coisas passam a ter novos sentidos, que a gente desacelera, que compreende o mundo de uma maneira mais calma, mais sábia e com menos euforia… Entretanto, é também nessa fase que nosso corpo (pelo menos o da maioria) deixa de funcionar como antes e a autonomia se torna uma palavra do passado.
Ontem, primeiro de outubro, foi o Dia Mundial do Idoso. Uma data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para repensar ações voltadas para este público. Refletindo sobre as características da população idosa e fazendo paralelo com a inclusão, questiono: como estamos tratando os nossos velhos?
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) – que usou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – atualmente, cerca de 37 milhões de brasileiros possuem 60 anos ou mais. É uma parcela significativa da população, e que, graças aos avanços da medicina, tecnologia, etc, tende a crescer no futuro. Então, que tal fazer breve um exercício e imaginar como é chegar a uma certa idade e ter nossos movimentos e ações comprometidos? Como deve ser sentir dor ao realizar tarefas simples do cotidiano, como levantar e sentar, caminhar e deitar? Ou, perceber falhas na memória ao dar uma informação, tentar recordar algo ou simplesmente não lembrar o nome de alguém? Já imaginou depender da companhia de alguém, familiar ou profissional, para viver os dias e precisar dessa pessoa até para ir ao banheiro?
Chegar à velhice (e vivê-la) é um desafio progressivo. Afinal, trata-se de um público prioritário, com garantia de leis que visam incluí-lo na sociedade, mas também, é um publico mais frágil, complexo e com características próprias. Vimos isso escancaradamente na pandemia: os mais idosos foram os que mais morreram pela doença.
E não é só Covid-19. Eles são mais suscetíveis a várias enfermidades, acidentes domésticos, maus-tratos, preconceito, falta de oportunidades no mercado de trabalho e vítimas da solidão. Como temos tratado nossos velhos? Pais, avós, vizinhos, desconhecidos que vimos no mercado, motoristas no trânsito…? Será que temos tido paciência necessária? Respeito àquela história? No mínimo, empatia por aquele ser humano, que, assim como nós, um dia foi jovem e viu os anos correndo sem controle? Envelhecer não permite escolha, e por isso, para quem não for ficar no meio caminho, precisa pensar desde agora, ao longo da jornada, como conviver com essas pessoas de maneira respeitosa, para, lá na frente, saber com quem contar.

 

Magazine Brasil Líbano Dia dos Pais
Alexandre Santos Gomes advogado em Capinópolis
Ouça o podcast do Tudo Em Dia:

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