Nos fins de semana, quando o relógio marca 5h da manhã, o despertador do artesão Ademir Afonso da Costa, de 69 anos, avisa que é hora de ir expor e vender seus brinquedos e móveis na rua.  

Sem perder tempo, ele se arruma e coloca os produtos organizados em um caminhãozinho alugado e segue em direção a rua Portugal, para ser exato, na rotatória da Arena Portugal, na região da Pampulha. 

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Rapidamente, a calçada se transforma numa chamativa e colorida brinquedoteca. Ele expõe com esmero as casinhas de madeira, jogos de tabuleiro e outros brinquedos infantis, que ele passa a semana confeccionando peça a peça. 

 

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Orçamento está apertado

Cada venda é uma vitória! Com o orçamento apertado, cada centavo ajuda pagar as contas. Costa não ganha muito, mas disse que ajuda. Ele prefere expor seus produtos na rua e não na Feira Hippie, por exemplo, porque as taxas para expor na feira são altas. 

” Infelizmente, expor na Feira Hippie está muito difícil, as vagas das barracas são passadas atualmente de pai para filho. Aí não sobram mais vagas. O que dificulta também é pagar as taxas para a manutenção da barraca, que são bem caras. Não ganho muito, as vendas não estão altas, mas dá para ajudar pagar as contas. Na minha casa, meus dois filhos e a minha esposa trabalham e eu recebo aposentadoria, então aqui é para complementar a renda. Como está tudo caro, o dinheiro não sobra, mas pago as contas em dia, graças à Deus”, explicou o artesão.

Para alavancar as vendas, Costa comprou uma máquina que aceita débito e crédito. Ele também parcela e aceita Pix. 

“Faço de tudo para não perder venda e facilito as formas de pagamento. Além disso, ofereço produtos de todos os preços”, contou. 

Ponto de venda

Durante a semana, o artesão produz e vende suas peças na casa onde mora, no Planalto, na região da Pampulha. Nos fins de semana, ele vai para a rotatória da Arena Portugal. 

“Escolhi vender aqui porque está próximo da minha casa. Aí não gasto muito com combustível e meu lucro fica maior. Vendo aqui todo sábado e domingo das 7h às 15h”, conta Costa. 

 

Renda salva pelo artesanato durante pandemia 

Do outro lado da rua, uma artesã que preferiu o anonimato por medo da fiscalização da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte ( PBH) faz objetos decorativos em gesso. Ela também expõe na região nos fins de semana. Nos outros dias ,ela trabalha como cantora em bares da capital. 

“Fica caro expor em feiras por causa das taxas que são cobradas. Por isso, preferi vender nas calçadas, porque assim consigo um lucro maior. O artesanato durante toda a pandemia me salvou, porque cantar na noite estava proibido. Agora, com as flexibilizações, o orçamento voltou a melhorar. Agora está pingando dos dois lados”, avaliou a artista que preferiu o anonimato.

 

Exposição ilegal nas ruas

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que só os expositores licenciados podem expor na Feira Hippie. “A PBH salienta ainda que o comércio de produtos nas ruas é proibido pelo Código de Posturas. As ações fiscais são feitas pela PBH e o descumprimento da legislação pode gerar na aplicação de multa”, pontuou a nota. Entretanto, a nota não esclareceu sobre as reclamações dos artesãos  – número limitado de vagas para expor na Feira Hippie e cobrança de taxas elevadas.

Alexandre Santos Gomes advogado em Capinópolis
Ouça o podcast do Tudo Em Dia:

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