A mega operação denominada “Balada”, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (5) com foco na região do Triângulo Mineiro, investiga empresários e profissionais liberais de Uberlândia que estariam financiando e auxiliando na lavagem de dinheiro de uma organização criminosa envolvida no tráfico de armas e drogas

Os empresários investigados seriam do ramo de postos de combustível, hotelaria, construção civil, e, principalmente, comércio de veículos. 

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Ao todo, foram cumpridos pela corporação 247 mandados de prisão e 249 mandados de busca e apreensão. Além de Uberlândia e Ituiutaba, ambas no Triângulo, a operação também ocorreu nos Estados de Goiás, Rio de Janeiro, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Alagoas, Tocantins e Espírito Santo. 

Foram 850 policiais em todo o país, divididos em 230 equipes, sendo 166 delas concentradas no Triângulo Mineiro. Até o meio-dia desta terça, a PF já havia contabilizado 95 prisões; 115 veículos apreendidos (vários deles de luxo, incluindo um Porshe, lanchas e motos aquáticas); cinco prisões em flagrante por porte de armas e drogas; e cerca de R$ 850 mil em espécie apreendidos. O balanço final só será divulgado na manhã de quarta-feira (6). 

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Ainda segundo a PF, a operação recebeu o nome de “Balada” devido ao fato de os investigados ostentarem nas redes sociais festas de luxo, inclusive em outros países, além de iates e carros esportivos.

Quadrilha movimentou R$ 2 bilhões

Ainda de acordo com a corporação, os empresários e profissionais liberais disponibilizavam grandes quantias em dinheiro, normalmente em espécie, para que a organização criminosa pudesse adquirir os entorpecentes, inclusive negociando imóveis como pagamento pelos carregamentos de drogas. 

Ao longo de mais de um ano de investigação, foi possível constatar uma movimentação financeira dos investigados que ultrapassou os R$ 2 bilhões, o que demonstra o grande poder econômico dos criminosos. 

Conforme o delegado Átila Afonso da Silva, um dos responsáveis pela apuração, os empresários emprestavam o dinheiro, sabendo qual seria o seu fim, e recebiam uma porcentagem em juros do dinheiro. Como garantia, eles recebiam imóveis dos criminosos que eram penhorados. 

“Outra forma de financiamento era a venda parcelada de imóveis para os traficantes. Eles pediam um imóvel de R$ 1 milhão, o empresário pagava e eles devolviam  em parcelas mensais com juros. Além disso, os empresários também serviam de laranjas para lavar o dinheiro, já que diversos imóveis destes criminosos estão registrados no nome dos empresários”, lembra o policial.

Advogados também foram presos pela atuação na lavagem do dinheiro do crime, para o trânsito de valores em contas bancárias e, ainda, falsificação de documentos públicos e privados para o ciclo de lavagem. 

Questionado sobre o envolvimento de políticos e policiais no esquema, Átila Afonso disse que a investigação segue em sigilo e, por isso, mais detalhes não poderiam ser divulgados no momento. 

Armas eram vendidas para facção carioca

De acordo com o delegado de Investigações Sensíveis da PF de Uberlândia, Renato Beni da Silva, os levantamentos que culminaram na operação tiveram início em março de 2020, quando a instituição recebeu a informação de que uma organização estaria traficando armas adquiridas no Mato Grosso do Sul, levadas para a cidade mineira e, de lá, distribuídas para outros Estados. 

“As entregas destas armas aconteciam principalmente em Uberlândia e, também, no Rio de Janeiro, sendo entregues para facções criminosas, principalmente no Complexo da Maré. Os armamentos eram adquiridos em Ponta Porã e, quase que mensalmente, eram enviadas remessas para o Rio”, detalha o policial. 

Ainda em 2020, a PF fez a apreensão de oito fuzis e 14 pistolas na cidade do Triângulo com integrantes da quadrilha. “Com o aprofundamento das investigações foi possível identificar a conexão de outros grupos que trabalhavam no tráfico, em especial de cocaína, que distribuíam no Triângulo e outros estados, como Goiás, Rondônia, Espírito Santo, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Alagoas”, complementa Silva.

A PF identificou também que a quadrilha criava empresas de fachada, que eram cadastradas regularmente junto à corporação, para fazer a aquisição de insumos químicos que eram desviados e utilizados na manipulação da cocaína em laboratórios da região. 

“Para ter ideia, em sete meses foi adquirido quase 4 toneladas de produtos como a fenacetina, lidocaína e cafeína, substâncias usadas na manipulação da cocaína para aumentar o volume. Com essa quantidade, seria possível manipular até 11 toneladas da droga”, completa o delegado. 

Estrutura

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, a PF descobriu toda uma estrutura montada pela equipe para a contagem e embalagem de grandes quantias de dinheiro, com máquinas de contar notas e papel filme para envolvê-las para o transporte. 

Em outro imóvel, foi constatado um pequeno laboratório para estocagem das drogas e dos produtos químicos utilizados na produção das mesmas. 

Alexandre Santos Gomes advogado em Capinópolis
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