A pane global que deixou o WhatsApp, o Facebook e o Instagram fora do ar nesta segunda-feira (4) por sete horas, além de afetar o dia-a-dia dos bilhões de usuários dessas redes, pode ter prejudicado o negócio de muitas empresas, principalmente as de pequeno porte, que durante a pandemia precisaram migrar para as redes sociais para manterem seus negócios vivos. 

O prejuízo para as finanças de cada pessoa jurídica afetada ainda é incalculável, segundo especialistas. A queda dos apps, no entanto, pode ser considerado como um dia de vendas a menos nos negócios, explica a professora de economia do Centro Universitário UNA Vaníria Ferrari. 

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“Com a pandemia, muitas empresas, principalmente as menores, tiveram que buscar uma alternativa de venda online via WhatsApp, que virou uma ferramenta de negócio. Num primeiro momento, essa pane vai afetar mais o pequeno negócio que depende do WhatsApp para entrar em contato com o cliente, receber um pedido e fazer uma venda. Poderíamos calcular esse impacto em um dia de vendas perdido. Pode parecer pouco, mas economicamente falando, isso pode pesar. Já as grandes empresas têm outras formas de se adaptar (a esse cenário) e fazer contato através da área comercial, do telemarketing”, avalia a professora.

Segundo economista e educador financeiro Carlos Eduardo Costa, alguns negócios não vão conseguir recuperar esse prejuízo. “Não é só na negociação final (na venda), algumas empresas fazem a divulgação por essas redes e isso não está podendo acontecer. Por isso, não gera as expectativas de negócio. É difícil calcular o prejuízo”, explica Costa.

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Dependência

Segundo os especialistas, atualmente os diferentes negócios – grandes e pequenos – são afetados com esse tipo de pane nas redes sociais porque as pessoas estão cada vez mais dependentes da tecnologia. Por isso, a alternativa é ter outros canais de atendimento e comunicação. 

“A gente percebe o quão dependente a população e o comércio estão das redes sociais. Na verdade, elas não podem ficar tão reféns do WhatsApp. As empresas têm que ter outros canais de atendimento, porque não estamos livres de que isso volte a acontecer, e mais de uma opção de controle que dê acesso ao cliente, como um cadastro, por exemplo. Porque numa situação como essa, poderia-se disparar um e-mail relatando sobre o problema aos clientes”, diz Vaníria.

“Nossa ligação umbilical com as redes sociais acaba dificultando a comunicação. A nossa vida (tecnológica) está dependente de poucas corporações. Essa queda pode servir de aviso para as pessoas pensarem em um plano B, como resgatar a velha agenda de contatos”, orienta Carlos Costa.

Falha de segurança pode ter causado pane

Uma das explicações mais prováveis para a queda dos aplicativos do Facebook, desde a rede social homônima até o Whatsapp e o Instagram, nesta segunda-feira (04), é uma falha no serviço de Domain Name System (DNS), ou Sistema de Nomes de Domínios, na tradução para o português.

O DNS é atua como uma “agenda de contatos” da internet. É ele que registra os números (endereços de IP) associados aos “nomes de domínio” (endereços dos sites).

De acordo com o advogado especialista em privacidade e segurança da informação Ciro Chagas, se o problema realmente for o DNS estamos diante de uma falha de segurança. 

“Essa falha no DNS pode ser um sequestro de dados. O ransomware é uma espécie de vírus (malware) que restringe o acesso ao sistema infectado e trava o acesso ao servidor. Isso pode gerar vários problemas, desde a sobrecarga na rede até mesmo um bloqueio ao acessá-la. Ainda é muito recente para afirmar que o servidor do Facebook tenha sido vítima disso, mas, pela quantidade de tempo que sistema está caído, sem acesso, tudo indica que é um claro caso de infecção por ransomware”, diz.

Segundo Chagas, se essa falha de segurança se confirmar, pode haver vazamento de dados dos usuários.

“Caso tenha sido um rasomware com vazamento de informações do servidor, um ataque de hackers com acesso ao banco de dados, a própria Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) brasileira autoriza os usuários a buscarem reparação indenizatória pela mera exposição de dados em domínio público”, explica Chagas.

Na avaliação dele, ainda é prematuro falar de sobrecarga do sistema de telecomunicações.

“Ainda é muito recente para fazer qualquer afirmação a respeito, se se trata realmente de malware ou de problema estrutural da rede deles. A gente fica apreensivo porque é um meio de comunicação comum e acessível a todas pessoas, o que demonstra a nossa dependência. O ideal é que nós tenhamos sempre alternativas para esses momentos”, conclui.

 

Alexandre Santos Gomes advogado em Capinópolis
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