A contratação de Cristiano Ronaldo, 36, pelo Manchester United (ING) gerou um bem-estar que os torcedores não sentiam desde 2013, ano em que a equipe conquistou pela última vez o título inglês. Mas ninguém se sentiu tão bem quanto o bolso da família Glazer, proprietária do clube.

A partir da aquisição do atacante português, as ações da empresa controladora da agremiação, negociadas na bolsa de Nova York, valorizaram-se 12%. O valor de mercado do Manchester United chegou a US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16,6 bilhões). Com a subida, os Glazers venderam parte dos papéis e embolsaram US$ 186 milhões (cerca de R$ 1 bilhão).

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Em campo, o time patina mesmo com o retorno do atacante eleito cinco vezes melhor do mundo. Ronaldo explodiu para o futebol em Old Trafford, onde chegou aos 17 anos, em 2003.

Até 2009, quando foi vendido para o Real Madrid por 80 milhões de euros (R$ 510,6 milhões em valores atuais) o time obteve três títulos da Premier League (2007, 2008 e 2009), uma Copa da Inglaterra (2004), uma Copa da Liga (2006), Champions League e Mundial de Clubes em 2008.
Ronaldo não tem decepcionado em campo. Em sete jogos desde sua chegada, fez cinco gols. Mas o time oscila graças a deficiências em outros setores. Foram três vitórias no período.

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Apesar da venda, a família Glazer, também dona de shopping centers nos Estados Unidos e do Tampa Bay Buccaneers, atual campeão do Super Bowl na NFL, a liga profissional de futebol americano, continua com o controle do United.

Eles têm 69% de ações, mas graças a diferentes tipos de papéis, continuam com as mãos em quase todos com direito a voto para tomadas de decisões.

A chegada de Ronaldo também serviu para conter o ímpeto de um número cada vez maior de torcedores hostis aos Glazers. A família foi uma das cabeças por trás da Superliga da Europa, ideia levada à cova no ano passado por causa de manifestações das torcidas inglesas, com apoio do governo britânico, antes simpático ao projeto.

A revolta atingiu o ápice quando em um protesto em frente ao estádio em Old Trafford, antes do clássico contra o Liverpool, na temporada passada, torcedores invadiram o campo e provocaram o adiamento do jogo. Emissoras de TV do Reino Unido mandaram equipes para a Flórida, onde vive a família, e abordaram Joel Glazer na rua para entrevistá-lo. Ele se recusou a falar.

A imagem que ficou foi a dele a ignorar as perguntas da repórter e sair em disparada a bordo do seu Porsche vermelho.
Isso fez com que, pela primeira vez desde a compra do clube, em 2005, ele aceitasse fazer um encontro, mesmo que virtual, com grupo de torcedores, e provocasse uma guinada na política de relações públicas do clube. Pouco depois, Ed Woodward, o CEO do Manchester United e homem de confiança da família, anunciou sua saída.

Os Glazers são detestados em Manchester não apenas pela falta de comunicação e por tratarem o time como uma espécie de caixa eletrônico. Em 15 anos, cerca de 1 bilhão de libras (R$ 7,5 bilhões) foram retirados da agremiação como dividendos para os proprietários ou para pagar juros bancários.

Quando decidiram comprar o United, em 2005, eles não tinham entre 800 milhões e 900 milhões de libras (entre R$ 6 bi e R$ 6,75 bi em valores atuais) para bancarem a aquisição. Ed Woodward, ex-banqueiro do JP Morgan, bolou um plano e foi atrás de financiadores. Encontrou bancos dispostos a emprestar todo o dinheiro necessário.

Os Glazers deram bens e receitas futuras do próprio Manchester United como garantias para os 800 milhões cedidos. Do dia para a noite, o clube, um dos mais ricos do planeta e com zero dívidas, passou a ter uma conta de R$ 6 bilhões para pagar.

Alexandre Santos Gomes advogado em Capinópolis
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