O vôlei com conhecimento e independência jornalística

Ednéia Anjos de Souza.

Magazine Brasil Líbano Dia dos Pais

Paulista, 41 anos.

Profissão: jogadora de vôlei.

CCAA Capinópolis

Até quando ela não sabe dizer.

Quando perguntada, Ednéia diz: ‘vou deixar ele me deixar’.

Ela passou pelos 3 principais times do Brasil: Minas, Praia Clube e Osasco. Acaba de trocar o projeto de Maringá por Brusque que jogará a Superliga C.

Na conversa com o blog ela explica os motivos, fala da temporada em Portugal, da crise que assola a base do vôlei brasileiro e da preocupação com o futuro.

Ednéia estuda, trabalha com as categorias infanto e juvenil e admite que pode seguir carreira.

Por que você optou em trocar Maringá por Brusque?

Foi coincidência. Infelizmente me desliguei da equipe de Maringá que é um projeto muito sério e está se estruturando com pé no chão, seguindo o princípio de cumprirem o que projeto propõe ao atleta. Conversei muito com o Aldori (técnico) e o Léo (supervisor) sobre minha decisão, eles entenderam e me liberaram sem nenhum tipo de problema, amigavelmente. Como muitos sabem, há 10 anos estou na luta com meu pai, portador de Mal de Parkinson, e numa urgência, precisei estar mais próximo, porém, Brusque iniciaria o estadual e diante dessa necessidade, fizemos um acordo acessível a minha logística, assim poderei ajudar também para Liga C.

Como encara esse seu retorno ao vôlei brasileiro?

Encaro com uma ferramenta importante de crescimento profissional, uso para me desenvolver, para estudar numa universidade e para conhecer o meio por esse lado mais técnico, da gestão, da burocracia de conduzir uma equipe, setor em que quando somos totalmente atletas, não temos a vivência do “empreendedorismo”. Tenho buscado me desenvolver para atuar num projeto no qual faço parte da diretoria que é a Associação Volei Mais, com cede em São João Do Boa Vista – SP. O projeto será trabalhar as categorias infanti le juvenil e minha possível transição de carreira.

Você passou por Minas, Osasco e Praia Clube, os 3 principais times do país. De que maneira pode contribuir para o projeto de Brusque? 

Me sinto privilegiada por ter feito parte de equipes tão importantes e conceituadas no voleibol brasileiro, foi uma trajetória vitoriosa, de tantas experiências. Minha contribuição seria passar tudo que aprendi e vivi nesses anos todos, apesar de estar nas mãos de uns dos melhores técnicos do país, que é o Maurício Thomas.

O que pode falar da experiência em Portugal?

Toda experiência é válida, como citei acima, busco crescimento profissional, passar pela transição de carreira fazendo o que gosto e me adaptar ao mercado de trabalho. Conheci o vôlei português, seu sistema, as técnicas, sua organização e funcionalidade. Infelizmente não puder viver o país em si por ter estado em lockdown a maior parte da estadia, no mais, foi importante.

E como vê a crise na base do vôlei brasileiro?

As gerações mudaram, o ambiente cultural idem. Não se vê tantas  crianças nas ruas, descalças, jogando a bola paro alto, etc. O mundo digital tomou espaço, aquelas “maneiras de sugar” o máximo do atleta da época passada pode não funcionar nos treinamentos de hoje. Tudo isso não é justificativa e falo no esporte em geral que é importante para a análise. Acredito em trabalho, aprimoramento, estudo e capacitação. Inclusive este último é um ponto interessante. Muitos atletas que atuaram durante anos com os melhores professores do voleibol nacional e internacional, não atuam no cenário técnico, por vários motivos é claro, mas seria um ponto para pensar? Levanto essa questão por ter certeza que não é apenas um pensamento meu. No entanto, a crise é importante para rever conceitos, readaptar, mudar,  reagir e tomar atitudes que, talvez, possam ser duras mas necessárias para reescrever a história.

Aos 41 anos, até onde vai a Edneia?

Essa foi a pergunta mais difícil de responde. Eu não sei. Gosto do que faço, tentei sair e voltei, já estudei desde arquitetura, passei por radiologia, desenho técnico, corretora de imóveis, massoterapia, auriculoterapia, extensão de cílios, já fui auxiliar técnico de base, agora me formo em educação física, mas o tal do vôlei, esse, vou ‘’deixar ele me deixar’, é o jeito.

 

Alexandre Santos Gomes advogado em Capinópolis
Ouça o podcast do Tudo Em Dia:

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