Cabelo platinado, colorido, cortado na régua ou com desenho tribal… produzir um cabelo “chavoso” exige técnica e muita dedicação. Foi com esse intuito, de se aperfeiçoar, que cerca de 400 profissionais se reuniram neste domingo (10) no  2° Encontro de Barbeiros, em Belo Horizonte.

O evento, gratuito, ocorreu no Shopping popular Xavantes, no Centro de BH, e reuniu cabeleireiros de vários bairros, vilas, favelas e cidades. Além de palestras e workshops, o encontro também promoveu duas competições para saber quem manda melhor nos cortes freestyle e no fade/degrade.

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O público foi majoritariamente jovem e masculino. Em busca de novas ideias para se profissionalizar, os irmãos Gabriel e Rafael Lolli, de 22 e 18 anos respectivamente, não só participaram do evento como também chamaram a atenção com os penteados coloridos.

“É um diferencial mesmo, a ideia é chamar a atenção pro nosso trabalho”, confessa Rafael, que estava com um cabelo azul claro. Irmão mais velho, Gabriel conta que começou no ramo há seis anos, quando ainda era adoslecente, e hoje vê na carreira uma chance de crescer. “Estamos no começo, trabalhando na garagem de casa mesmo, mas devagarinho a gente quer criar uma escola para produzir e ensinar esse tipo de conteúdo artístico”, revela o barbeiro do bairro Vista Alegre, regional Oeste de BH.

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Com a dupla trabalha o jovem Guilherme Rodrigues, que tem só 13 anos e já está no ramo há um ano. De cabelo rosa, ele conta que apesar do talento, o principal desafio é convencer os clientes mais velhos. “O povo fica um pouco desconfiado por causa da idade, mas aí vai conhecendo o meu trabalho, vendo as fotos dos cabelos que eu já fiz, e vão perdendo o medo”, diz o garoto conhecido como “Menor du Corte”.

Profissionalismo

Considerado mais experiente entre os colegas, o barbeiro Rafael Soares, 30, sabe a importância de se profissionalizar e passar conhecimento para quem está começando. “O barbeiro não é só um profissional como qualquer outro, ele tem um diferencial na comunidade onde ele está inserido, especialmente nas favelas. Então, é importante que esse jovem que está começando agora tenha em mente que é legal ganhar dinheiro, mas se ele não adotar uma postura profissional e investir nisso, ele não vai longe”, conta Rafael, que trabalha na região do Barreiro.

Segundo ele, o ambiente na barbearia vai determinar se o negócio poderá prosperar. “Se o barbeiro consegue se estabelecer, oferecer algo que vá além do corte, como um produto para o cabelo ou uma química para um penteado, certamente ele estará oferecendo um diferencial para o seu cliente. É a chave pra dar certo”, explica.

A moda agora é…

Cleiton Teixeira, 39, é mais conhecido como ‘Keko Boladão’. Dono de uma barbearia há 12 anos no Morro do Papagaio, região Centrol-Sul de Belo Horizonte, foi um dos jurados e palestrantes do evento.

De cima do palco, ele demonstrou ao vivo qual deve ser a nova tendência dos cabelos chavosos em 2021/2022. “A tendência é o desenho colorido que é feito geralmente na lateral do cabelo ou na nuca. Você faz o fade e no espaço mais limpo a gente aplica uma folha, e daí vem com um tinta contornando com o desenho”, explica o babeiro, que desenhou um Mickey no cabelo de um voluntário.

Depois do produto específico aplicado, o desenho que parece uma tatuagem perdura por dias e resiste até ao banho. “Isso é pra galera mais nova, mas pra quem não gosta também tem uns penteados tradicionais, feitos juntos com o corte que estão na moda. Aqui a gente atende a todos”, conta Keko.

Alexandre Santos Gomes advogado em Capinópolis
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