O Cruzeiro entrou com pedido de reconvenção na Justiça do Trabalho em ação proposta por Humberto Magalhães Santos Pires de Sá, filho do ex-presidente Wagner Pires de Sá e ex-funcionário da Raposa. Além de se defender, ao afirmar que não deve nada ao ex-funcionário, por se tratar de uma “fraude” com o objetivo de se “desviar recursos da instituição”, o clube requer a restituição de R$ 252.780,00, referente a pagamentos de salários, e de R$ 26.186,03, a título de FGTS recebido indevidamente. No total, R$ 278.966,03.

O pedido estrelado foi apresentado no último 30 de setembro, quando ocorreu a primeira audiência, na qual o filho de Wágner cobra R$ 127.554,42. Ele alega que a Raposa não pagou verbas rescisórias bem como deixou de recolher de forma correta o FGTS, de 1º de março de 2018 a 6 de janeiro de 2020, período do contrato de trabalho. Na primeira audiência não houve acordo. Nova sessão foi marcada para 22 de maio de 2022.

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No ato processual apresentado há 12 dias, o Cruzeiro requer a nulidade do contrato de trabalho de Humberto e a consequente restituição dos valores recebidos por ele, ao afirmar que o filho de Wagner Pires de Sá jamais prestou qualquer serviço ao clube. 

“Sua contratação se deu com o objetivo único e exclusivo de remunerar o filho do dirigente, repita-se, sem prestar sequer nenhuma atividade laborativa a favor do clube reclamado. A ausência absoluta de prestação de serviços pelo reclamante indica que o malsinado (condenado, desvirtuado) contrato, para o qual se requer a declaração de nulidade, foi um meio de possibilitar ganhos financeiros para o dirigente e sua família, representando fraude e desvio de recursos do Cruzeiro Esporte Clube. Tratou-se, portanto, de uma simulação”, sustenta a agremiação.

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O clube também solicita à Justiça a inclusão de Wagner Pires de Sá (ex-presidente) e Itair Machado de Souza (ex-vice de futebol) no polo passivo da ação. Isso porque, segundo alegação feita à Justiça, Humberto teria exercido o cargo de assessor da presidência, participando da gestão do clube ao lado de Itair e do próprio pai. A contratação, assegura o Cruzeiro, foi feita unicamente pelo vínculo familiar, “sendo fato que nenhum serviço era prestado ao clube”.

O argumento está previsto no artigo 27 da Lei Pelé: “os administradores de entidades desportivas profissionais respondem solidária e ilimitadamente pelos atos ilícitos praticados, de gestão temerária ou contrários ao previsto no contrato social ou estatuto, nos termos da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil”, diz o texto.

O Cruzeiro argumenta que a gravíssima crise financeira pela qual passa foi motivada pela “péssima e temerária gestão administrativa nos anos de 2018 e 2019, que ensejou, inclusive, a abertura de inquérito policial, a fim de responsabilizar todos os envolvidos”.

O clube se refere à “Operação Primeiro Tempo” conduzida pela Polícia Civil, que indiciou Wagner Pires de Sá, Itair Machado, Sérgio Nonato (ex-diretor geral) e mais quatro empresários. Durante as investigações, foram produzidas provas de falsificação de documentos, apropriação indébita, organização criminosa e lavagem de dinheiro durante a antiga administração estrelada.

O que cobra Humberto

Humberto ingressou com ação na Justiça no Trabalho cobrando R$ 127.554,42 em salários não pagos, FGTS, entre outras reivindicações. Durante o período em que seu pai esteve no comando do time estrelado, ele foi incluído na lista de funcionários do Cruzeiro como assessor da presidência, com salário de R$ 12.639,00. Para tanto, deveria cumprir expediente de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h30, com intervalo de uma hora de almoço (12h às 13h).

Apesar disso, o Cruzeiro afirma ter como comprovar que ele nunca trabalhou, efetivamente, na instituição. “O fato é que nenhum serviço era prestado ao clube”, reitera a Raposa.

O ex-funcionário alegou exercer função na Toca I, tendo sido contratado dois meses após a  posse do seu pai no Cruzeiro. Em 19 de dezembro de 2019, com o Cruzeiro já rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro, Wagner Pires de Sá renunciou ao cargo de presidente. Em 6 de janeiro de 2020, Humberto foi comunicado sobre sua dispensa e, em 16 do mesmo mês, ocorreu a homologação da rescisão. 

O que dizem os citados

Humberto não foi encontrado para comentar o assunto. O advogado Antônio Márcio Botelho, representante dele no processo, não retornou o contato até a publicação desta matéria.

Wagner Pires de Sá também não foi encontrado. O Cruzeiro, por sua vez, não comenta processos na Justiça.

Questionado sobre a contratação de Humberto durante sua gestão, Itair Machado não disfarçou a irritação com a pergunta. “Você deve estar brincando comigo, né? Me fazer uma pergunta dessas? Eu era funcionário. Isso aí você tem de perguntar ao ex-presidente (Wagner)”, respondeu.

Alexandre Santos Gomes advogado em Capinópolis
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