A escolha da ex-BBB Gyselle Soares para o papel de Esperança Garcia, primeira advogada negra do país, na peça “Uma escrava chamada Esperança”, causou reação do movimento negro no Piauí. 

Ativistas realizaram um protesto na noite da última terça-feira (12), em frente ao Theatro 4 de Setembro, no Centro de Teresina, contra a atuação da atriz no espetáculo.

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Halda Regina, presidente do Instituto da Mulher Negra do Piauí – Ayabas, chamou à atenção sobre o “embranquecimento” de Esperança Garcia na montagem. 

“Temos poucas referências de luta pela questão negra no Piauí. É grandioso demais ter Esperança Garcia, uma mulher escravizada que se tornou advogada através da coragem que teve de reclamar de todos os maus-tratos, sendo interpretada por uma atriz de pele clara, para não dizer branca”, disse ela ao portal Cidade Verde.

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Para Halda, o fato de Gyselle Soares interpretar Esperança Garcia é um retrocesso e remete ao que aconteceu na década de 1930, quando surgiu o Teatro Experimental do Negro. Na época, personagens negros eram interpretados por brancos que pintavam o rosto.

“Não vamos dizer que vamos barrar a peça. Queremos chamar a atenção (do público) para que eles assistam a peça com um cunho crítico. A Esperança Garcia Representa as mulheres negras!”, completou Halda Regina. 

Produção do espetáculo se defende

O diretor da peça, Valdsom Braga, lamentou a repercussão negativa por conta da escolha de Gyselle Soares e rebateu as acusações. 

“Toda arte que uso dá voz aos excluídos. Quando chega no fator discussão as pessoas estão muito ligadas ao olhar, julgam o livro pela capa. Acho uma maldade o que estão fazendo: agredindo o outro”, disse ele ao portal Cidade Verde.

Braga conta que após toda reverberação contrária do caso procurou os movimentos através das redes sociais para inseri-los no espetáculo, mas não obteve respostas.

“As pessoas que se denominam negras quando se manifestam a favor são torturadas com palavras agressivas. A peça só fomentou a possibilidade de falarmos de inclusão e direitos humanos, o que não representa um grupo seleto. E quem quer saber de fato o que está de fato acontecendo, o espaço está aberto “, concluiu o diretor. 

Alexandre Santos Gomes advogado em Capinópolis
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