Covid: Vacinação de grávidas em BH é feita com Pfizer e não deve ser suspensa

Betim e Viçosa já comunicaram a suspensão da imunização de gestantes, uma vez que usavam Astrazeneca. Governo de Minas Gerais aguarda posição do Ministério da Saúde
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A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou, nesta terça-feira (11), que a vacinação de grávidas na capital mineira está sendo feita com imunizante da Pfizer, e não com Astrazeneca. Pela manhã, a Anvisa orientou cidades e municípios a suspenderem a vacinação de grávidas com o imunizante produzido pela Oxford.

“A Secretaria Municipal de Saúde informa que segue as orientações do Plano Nacional de Imunização, do Ministério da Saúde, e que todas as gestantes com comorbidades ou não que se cadastraram no portal da prefeitura, até o dia 3 de maio, estão sendo vacinadas com a Pfizer”, informou a PBH. A prefeitura de BH não declarou quantas grávidas já foram vacinadas na cidade.

Já o governo de Minas Gerais, procurado pela reportagem, informou que aguarda posicionamentos para tomar medidas – as cidades do interior do Estado estão recebendo doses Astrazeneca direcionadas a gestantes desde o dia 4 de maio. “Sobre a recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para suspender a Astrazeneca em grávidas e puérperas, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) aguarda posicionamento e orientações do Ministério da Saúde para definição sobre as medidas a serem tomadas”, comunicou em nota à imprensa.

Ao menos dois municípios mineiros, no entanto, já se manifestaram e iniciaram a suspensão da vacinação de gestantes: Betim, na região metropolitana é um deles. Segundo o secretário adjunto de Assistência à Saúde de Betim, Hilton Soares, nesta terça-feira (11) estava previsto a continuidade da vacinação deste público-alvo nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Foram distribuídas pelo governo de Minas 2.900 doses AstraZeneca para imunização das gestantes. “Felizmente, não houve nenhum registro de mulheres que tiveram reações adversas graves por causa do imunizante. De qualquer forma, orientamos que as gestantes fiquem atentas e procurem a unidade de saúde mais próxima, caso sinta algum sintoma diferente. Assim, ela será acompanhadas pelas equipes de saúde do município”, salientou. “Agora, estamos aguardando as novas recomendação da Anvisa para saber como deveremos proceder”, completou o secretário adjunto.

Outra cidade que suspendeu a vacinação de grávidas foi Viçosa, no Sul de Minas Gerais. “O Setor de Atenção Primária em Imunizações, da Secretaria Municipal de Saúde, informa que a vacinação de gestantes e puérperas (mães que tiveram filhos recentes), com comorbidades contra a Covid-19, prevista para esta terça-feira, 11, está suspensa, temporariamente”, informou em nota à imprensa.

Entenda

Na manhã desta terça-feira, após a morte de uma grávida que foi imunizada com a vacina de Oxford/AstraZeneca, no Rio de Janeiro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou nota técnica em que recomenda a suspensão imediata do uso da vacina em gestantes. 

Na bula da vacina Astrazeneca, não consta a indicação para o uso em gestantes, mas inicialmente o Ministério da Saúde repassou doses desse imunizante para a vacinação de grávidas. Já a orientação da Anvisa é para que sejam seguidas as orientações do fabricante. 

 

Covid: Vacinação no Brasil

Até o momento, o país utilizou apenas três vacinas diferentes na campanha de imunização contra Covid (Coronavac, Astrazeneca e Pfizer), que se iniciou, em 18 de janeiro, por grupos prioritários, como idosos, forças de segurança e salvamento e pessoas com comorbidades. Essas vacinas necessitam da aplicação de duas doses para imunização, e não há nenhuma pesquisa, por ora, que tenha testado eficácia ou segurança em larga escala quando dois imunizantes diferentes são administrados. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que é necessário vacinar de 60% a 70% da população para frear a propagação do vírus. As vacinas usadas no Brasil possuem características específicas, mas ambas têm eficácia e segurança contra o coronavírus. A Coronavac é feita com o vírus inteiro, só que inativado (“morto”). A vacina tem todas as proteínas do vírus, não só a proteína S, que ele usa para infectar as nossas células. Com isso, o corpo que recebe a vacina com o vírus — já inativado — começa a gerar os anticorpos necessários no combate da doença. A eficácia da Coronavac para casos sintomáticos é de 50,7%, sendo que pode chegar a 62,3% se houver um intervalo de mais de 21 dias entre as duas doses da vacina. Já a Astrazenca é produzida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e usa um outro vírus (adenovírus) para carregar parte do material genético do coronavírus dentro do corpo. Este adenovírus carrega em si as instruções para a produção de uma proteína característica do coronavírus, conhecida como espícula. Ao entrar nas células, o adenovírus faz com que elas passem a produzir essa proteína e a exiba em sua superfície, o que é detectado pelo sistema imune, que cria formas de combater o coronavírus e cria uma resposta protetora contra uma infecção. Ela tem eficácia de 76% contra casos sintomáticos. A vacina da Pfizer usa o material genético do coronavírus (RNA), que é o que vai dar as instruções para que a célula faça a proteína S do vírus. Diferente das outras, esse material genético não é levado por outro vírus, e sim por outros tipos de transportadores, que podem ser “sacolas de gorduras”, os lipossomas. Os imunizantes criados a partir da replicação de sequências de RNA torna o processo mais barato e mais rápido. A Pfizer pode, inclusive, ser aplicada em pessoas a partir de 16 anos de idade, e os estudos de fase 3 apresentaram eficácia global de 95% de eficácia em toda população.

Covid: Veja os sintomas mais comuns

É possível estar com a doença e ficar assintomático, mas também há diferentes sintomas relatados entre pessoas que estão com coronavírus. De acordo com o Ministério da Saúde, os mais comuns, em casos leves, são tosse, dor de garganta e coriza, seguido ou não de anosmia (perda de olfato), ageusia (perda do paladar), diarréia, dor abdominal, febre, calafrios, dores musculares, fadiga e/ou dor de cabeça. Em casos moderados da doença, a tosse e a febre podem se tornar persistentes, e aparecem sintomas como prostração, diminuição do apetite e pneumonia. Em casos mais graves, segundo o Ministério da Saúde, são relatados desconforto respiratório ou pressão persistente no tórax, além de saturação de oxigênio menor que 95% em ar ambiente e coloração azulada de lábios ou rosto.

Mortes por Covid

Até 10 de maio, mais de 422.000 pessoas haviam morrido no Brasil em decorrência da Covid-19 desde o início da pandemia. O ranking de Estados com mais mortes pelo coronavírus é liderado por São Paulo, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais. As unidades da Federação com menos óbitos são Roraima, Amapá e Acre. Considerando o número de registros em 24 horas, o recorde de mortes em um dia no Brasil foi 4.249 óbitos, em 8 de abril. Já o recorde de Minas Gerais, com 508 mortes em 24 horas, foi no dia 7 de abril. A primeira morte pelo novo coronavírus no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, ocorreu no dia 12 de março de 2020: uma mulher de 57 anos, que veio a óbito em um hospital em São Paulo. No mundo, a primeira morte (de um homem de 61 anos) foi registrada oficialmente em 9 de janeiro de 2020 em Wuhan, na China.

Prevenção ao coronavírus

Manter o distanciamento social, evitando aglomerações, e usar máscara de qualidade e de maneira adequada quando precisar sair de casa são formas eficientes de se prevenir contra o coronavírus. Outros cuidados fundamentais, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, são: lavar as mãos com frequência, usando sabão e água ou álcool em gel; evitar tocar olhos, nariz ou boca; cobrir o nariz e boca com braço dobrado ou lenço ao tossir ou espirrar. O Ministério da Saúde reforça que é fundamental manter a limpeza e desinfeção de ambientes e objetos, como brinquedos e celulares, e isolar casos suspeitos e confirmados. A vacinação também é uma forma de prevenção contra qualquer doença, mas ainda não se sabe por quanto tempo cada imunizante contra o coronavírus vai proteger cada pessoa contra a infecção. Além disso, mesmo estando vacinado, cada cidadão pode se tornar um agente transmissor do vírus. Por isso, todas as medidas de profilaxia continuam válidas, por enquanto, mesmo para quem já se vacinou. 

 

(com Letícia Fontes e Renata Evangelista)

 

 

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Apoio:

Alexandre Santos Gomes advogado em Capinópolis

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