‘Xepa da vacina’ é saída de municípios da Grande BH para evitar desperdícios

Cidades adotam estratégias como visita a acamados e imunização com hora marcada
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Nos Estados Unidos, desde o início da vacinação contra a Covid-19, ficou comum pessoas que não eram do grupo prioritário serem imunizadas porque procuraram pela “xepa da vacina” – elas aproveitaram aquela última dose disponível em um frasco já aberto.

No Brasil, isso não foi adotado, para não haver fraudes e casos de fura-filas. Para evitar desperdícios, o Ministério da Saúde recomendou aos municípios que façam monitoramento e controle logístico das vacinas disponíveis nos postos.

Se ao final do expediente ainda sobrarem doses, elas devem ser direcionadas aos grupos prioritários previstos no Plano Nacional de Imunizações (PNI), especialmente o contemplado no momento. 

Para cumprir as orientações do ministério e não desperdiçar doses, cada município criou uma estratégia. A reportagem de O TEMPO procurou as prefeituras de Belo Horizonte e de outras seis cidades da região metropolitana, e todas disseram ter criado mecanismos eficientes para evitar desperdícios. 

Municípios

Na capital, as doses remanescentes em frascos são utilizadas para a imunização de idosos do público-alvo acamados e com mobilidade reduzida, previamente cadastrados na prefeitura.

Após o horário de vacinação nos pontos fixos, extras (7h30 às 16h30) e de drive-thru (8h às 16h30), as equipes se deslocam às residências dos idosos para a vacinação, segundo a PBH.

Já Santa Luzia apostou no agendamento de horários conforme o número de frascos e doses disponíveis. Se os frascos têm cinco doses, por exemplo, sempre são agendadas de cinco em cinco pessoas para não ocorrer desperdício, informou a prefeitura.

Em Sabará, para facilitar a logística, a vacinação ficou concentrada em quatro centros de saúde e dois pontos de drive-thru. De acordo com a prefeitura, dessa forma, o controle sobre as vacinas fica mais efetivo. Caso haja alguma sobra, uma equipe vai até a casa de um idoso acamado para a aplicação. 

Em cidades como Betim, Contagem e Vespasiano, a estratégia para não ter desperdício é a busca ativa por idosos cadastrados. Se ao fim do dia há uma sobra, o posto liga para pessoas de grupos prioritários e perguntam se há disponibilidade para tomar a vacina naquele momento. 

De acordo com o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da UFMG Geraldo Cunha Cury, não há problema em se usar a dose em uma pessoa que não esteja em um grupo prioritário, pois o mais importante é não desperdiçar nenhuma delas. 

“Mas, para não ter risco de fraude, a prefeitura tem que deixar bem claro qual é seu protocolo para uso das doses restantes”, explica Cury.

Vacinação de grávidas

Embora haja poucos estudos de fármacos com grávidas, muitas vezes a situação epidemiológica obriga o país a investir na imunização desse grupo.

O mesmo aconteceu há pouco mais de uma década, quando elas passaram a ser vacinadas contra a gripe, que passou a contar com uma cepa de H1N1. 

“São decisões difíceis. Por um lado, se aprova uma medida em um momento emergencial. Por outro, essas definições devem ser reavaliadas de tempos em tempos, para verificar se houve alguma adversidade”, diz Agnaldo Lopes, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

A bula da Astrazeneca não recomenda a vacina em grávidas, mas o Ministério da Saúde colocou na balança o grande número de mortes nesse grupo.

“Sempre foi muito difícil permitir o uso de um fármaco para grávidas, é muito mais fácil falar que não pode. É difícil ter essa definição porque deve-se considerar os riscos para a mãe, para o bebê e possíveis efeitos para a vida toda da criança”, explica o médico. 

Segundo ele, os médicos aguardam orientações do Ministério da Saúde para saber se as grávidas que receberam a primeira dose de Astrazeneca deverão ter uma segunda aplicação e se os imunizantes Coronavac e Pfizer podem continuar sendo administrados.

“Esperamos que sim, que eles possam ser usados em gestantes. Há um estudo da Pfizer que indica segurança e imaginamos o mesmo para a Coronavac, porque utiliza tecnologia de vírus inativado, que é a mesma de outras tomadas por gestantes, como a da gripe”. 

O médico alerta ainda a todas as gestantes que não deixem de tomar as outras vacinas direcionadas a elas, como as que oferecem imunização contra a gripe, tétano e rubéola.

Veja também:

Apoio:

Alexandre Santos Gomes advogado em Capinópolis

Bloqueador de Publicidade

Detectamos um bloqueador de publicidade no seu navegador. Por gentileza, apoie o jornalismo independente brasileiro

Refresh

error: A cópia do conteúdo do Tudo Em Dia é proibida